03/07/2026
Drama

O vazio de domingo à tarde

Mônica é uma atriz em crise com a profissão, em que o cenário atual privilegia pessoas com mais seguidores nas redes sociais do que artistas talentosos. Nesse mesmo momento, ela conhece Kelly, uma jovem ambiciosa que crê que fama e glamour são aquilo que é mostrado nas redes sociais.

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Duas mulheres: uma atriz num momento crucial de sua carreira, e uma jovem ambiciosa fascinada por um mundo de (falso) glamour vendido pelas redes sociais que aspira à fama. Essas são as personagens centrais de O vazio de domingo à tarde, dirigido por Gustavo Galvão e roteirizado por ele e sua companheira, a também cineasta Cristiane Oliveira. 

Mônica (Gisele Frade) está cansada de viver num ambiente de abusos e exploração, precisa redescobrir o amor pela profissão, reinventar sua carreira, achar novos rumos. Enquanto filma em Abadiânia, interior de Goiás, é aborda por Kelly (Ana Eliza Chaves), uma menina que conhece o mundo apenas de seu celular e o que lhe é mostrado através dele. 

Tocando em temas contemporâneos como a misoginia – em especial na indústria do entretenimento – e outros atemporais, como a tensão entre a aparência e a realidade, o longa se mostra o filme mais bem realizado de Galvão, aprofundando-se nas discussões pelo olhar feminino das personagens. A colaboração de Cristiane no roteiro certamente ajudou na construção da trama e na abordagem dos temas, uma vez que ela mesma é uma mulher inserida também nessa indústria.  

A direção de fotografia competente de André Carvalheira capta o clima árido do Centro-Oeste, numa atmosfera sufocante que consome as personagens até que elas se tornem uma vaga lembrança do que eram no começo do filme, passando por transformações.

Leia a entrevista com o diretor Gustavo Galvão

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