23/06/2026
Suspense Drama

Jurado Nº 2

Justin Kemp é um jovem jornalista. Ex-alcoólatra, ele vive sua recuperação há 5 anos, agora casado com a professora Allison, que espera o primeiro filho deles. Nesse momento, Justin é convocado para atuar no júri de um assassinato. E descobre que ele mesmo pode ter responsabilidade nessa morte. No Max (20/12)

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Aos 94 anos e uma carreira das mais bem-sucedidas diante e atrás das câmeras, Clint Eastwood não tem mesmo mais nada a provar a ninguém - e, no entanto, comprova sua melhor forma neste novo filme, que por alguma razão imponderável, não será lançado nos cinemas brasileiros. 

Tensão dramática e atuações na medida são as grandes atrações deste roteiro cheio de reviravoltas, assinado por Jonathan Abrams, tendo como eixo um imenso dilema ético. 

Justin Kemp (Nicholas Hoult) é um jornalista à espera do primeiro filho com a professora Alisson (Zoey Deutch). É um momento de redenção para ambos. Ele, pela recuperação como ex-alcoólatra, ela, por estar levando a termo uma gravidez de alto risco - o que representa ainda uma preocupação para o casal, que já sofreu uma perda antes. Neste momento, Justin é convocado para integrar um júri de um caso de assassinato.

A habilidade do diretor está em compor um caleidoscópio de visões e interesses em torno deste caso - o que é ressaltado pela montagem esperta da dupla Joel Cox e David Cox, pai e filho. Para a ambiciosa promotora Faith Hillebrew (Toni Collette), é um caso típico de violência contra uma mulher, cuja vitória em prender o suposto culpado (Gabriel Basso) pode garantir sua futura eleição como procuradora distrital. Para o esforçado defensor público, Erick Resnick (Chris Messina), trata-se de ressaltar todas as muitas dúvidas razoáveis sobre a autoria do crime, apesar do passado turbulento de seu cliente. Para Justin, acaba sendo bem mais dramático, quando ele descobre que pode ter sido o culpado por um acidente que teria matado a moça.

Eastwood não joga com a dúvida sobre a culpa de Justin - por mais que tenha sido totalmente acidental sua responsabilidade no episódio, cujo desfecho, aliás, ele não teve como saber antes. O que interessa o veterano diretor é procurar colocar os espectadores na pele de Justin, compartilhando suas motivações para revelar ou não tudo o que sabe. E é nesse processo que Eastwood sabe como ninguém a maneira de apertar os botões certos e nunca deixar cair o interesse por este drama moral.

Há várias camadas no filme e uma delas é justamente que Justin não é o tipo de culpado que ninguém gostaria de capturar. Mas aí Eastwood torce a chave - então, se o réu é o tipo de suspeito conveniente, ele deve ser condenado e pagar por um crime que não terá cometido? Devemos simpatizar com o erro ou com a verdade ? Ou pretendemos que a verdade tenha a cara que nós esperamos?

O jogo se embaralha também com a seleção de jurados, que Justin tenta influenciar e nem sempre consegue. Elles mesmos têm motivos tão bons ou ruins quanto quaisquer outros para acreditar que o réu é culpado ou inocente. Boa parte deles quer apenas livrar-se da obrigação e voltar para sua casa, não dando a mínima para o fato de que a vida de alguém inocente pode ser drasticamente alterada, ou até destruída, com a sua decisão.

Dessa maneira elaborada e sólida, Eastwood vai construindo seu castelo e ele é tão bom quanto alguns de seus melhores filmes, além de um fino entretenimento. Entretenimento de adulto, que gosta de prestar atenção, ser desafiado em suas convicções e pensar. Tudo isso embalado pela trilha de Mark Mancina, como sempre na obra do diretor, um biscoito fino.

 

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