A mudança de diretor no terceiro filme protagonizado pelo urso mais fofo do cinema atual é notável. Paul King dirigiu os dois primeiros, de 2014 e 2017, e o estreante em longas Dougal Wilson assume a cadeira em Paddington: Uma aventura na floresta. Não que o novo filme seja exatamente ruim, não é, mas falta-lhe a energia caótica dos antecessores, colocando mais força no lado emocional do que no cômico, e fazendo um filme mais exclusivamente para o público infantil do que para adultos também.
Depois de se acostumar com a Inglaterra, Paddington (dublado por Ben Wishaw no original, e Bruno Gagliasso, na versão nacional) busca suas origens nas florestas tropicais. Talvez dois filmes em Londres tenham esgotado o arsenal do urso, e procurar novos ares seria trazer um novo fôlego à franquia. O que não é nada ruim.
Outra novidade no longa é Olivia Colman como uma madre superiora que dirige uma casa de repouso para ursos no Peru. A trama começa quando ela manda um carta para Paddington e sua família, dizendo que a Tia Lucy não anda bem, e que sente a falta do sobrinho. Como ele acabou de receber um passaporte britânico, decide visitá-la e sua “mãe humana”, Mary Brown (Emily Mortimer, substituindo Sally Hawkins), sugere que toda a família o acompanhe.
Ao chegar lá, descobrem que a Tia Lucy foi para a floresta. Assim, os Browns alugam um barco comandado por um espanhol (Antonio Banderas) e sua filha (Carla Tous). Embora seja boa pessoa, ele tem a estranha obsessão de encontrar um tesouro supostamente deixado pelos Incas na região.
O elenco inclui ainda Hugh Bonneville, Madeleine Harris e Samuel Joslin, como o “pai” e “irmãos” do protagonista, mas é Colman quem rouba a cena como uma freira ensandecida, embora um dos maiores feitos do filme ainda seja o design de Paddington. O urso é repleto de detalhes e texturas, seus pelos tem movimento e suas feições são convincentes. É um grande trabalho de computação gráfica que, aliada à performance de Wishaw, faz o urso parecer real.
