A vitória no Oscar de ator coadjuvante para Kieran Culkin por sua atuação em A verdadeira dor é bastante merecida; a indicação na categoria de roteiro original, assinado pelo diretor e protagonista Jesse Eisenberg, nem tanto. Culkin, que já ganhou o Globo de Ouro na mesma categoria, destaca-se como um primo um tanto ácido, Benji, que ao lado de David (Eisenberg) viaja à Polônia para fazer um tour do Holocausto em homenagem à avó deles.
Nada de absolutamente novo aqui, nem muito empolgante nessa segunda incursão do ator na direção de longas. O ponto de partida já foi usado e abusado pelo cinema estadunidense, mas isso poderia não ser um problema, se trouxesse um frescor no olhar estrangeiro num país europeu. O humor à Woody Allen com uma verborragia excessiva também não ajuda muito.
Eisenberg se especializou num tipo de personagem meio neurótico que fala rápido e baixinho, e, possivelmente desde A Rede Social, nunca mais saiu desse tipo. David é o tipo certinho, casado e com filhos, que amadureceu e virou um homem, digamos, chato, desprovido do humor da juventude, quando era muito próximo de Benji, como se fossem irmãos. Esse, por sua vez, com o filme seguindo a cartilha do cinema dos EUA, é o oposto do primo, divertido, cínico e sem rumo na vida.
Culkin encontra a complexidade desse personagem, e faz o público amá-lo e odiá-lo na mesma medida. Impulsivo e desbocado, ele faz o primo se encolher de vergonha. Mas, no fundo, são dois sujeitos com problema emocionais e, pior ainda, com dificuldade de expressar suas emoções. Talvez, retomando a proximidade, consigam se abrir um com o outro.
Nota-se um esforço de passar a ideia de um filme importante, sobre assuntos relevantes como memória e trauma, mas a direção não encontra caminhos para abordá-lo de um jeito que já não tenha sido explorado à exaustão. Para navegar nessas águas seria preciso um pouco mais de profundidade nos personagens, que mais parecem tipos humanos do que pessoas, e nas situações. A visita à Polônia e o tour do Holocausto, além de serem escolhas óbvias, servem para reforçar o quão importante Eisenberg imagina que seu filme é.
Típico filme independente estadunidense contemporâneo, é daqueles que faz sucesso no Festival de Sundance – onde estreou há um ano –, e, eventualmente, lembrado na época de premiações. Nada de memorável aqui, afinal o cinema indie estadunidense já viveu dias melhores, antes de chegar à década presente reciclando mal clichês que eram sucesso nos anos de 1990, nos seus dias de glória.
