03/07/2026
Drama

Síndrome da Apatia

Sergei é um dissidente político russo que, com sua mulher e duas filhas pré-adolescentes, busca asilo na Suécia. Mas, quando este é negado, uma das meninas entra num coma profundo, uma condição conhecida como Síndrome da Apatia. Depois, a outra filha também é acometida por esse estado.

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Existe uma espécie de misery porn, esteticamente frio, praticamente blasé, que agrada muito o cinema grego contemporâneo, numa onda que começou há pouco mais de 15 anos e cujo principal nome é, claro, Yorgos Lanthimos. Ele, no entanto, mudou-se para Hollywood, e, de certa forma se reinventou, mantendo alguns traços, em especial o cinismo, mas encontrou uma nova energia para seus filmes – goste-se ou não de seus longas, é preciso admitir que são diferentes daqueles que fazia na Grécia. 

Alexandros Avranas, que ganhou proeminência na mesma época que o colega, com Miss Violence, no entanto, manteve-se fiel às suas raízes, apesar de ter feito um longa nos EUA (Dark Crimes, com Jim Carey, que, praticamente, ninguém viu). Em Síndrome da Apatia, ele volta ao modo grego a todo vapor, envolto numa gélida camada de cinismo, fazendo uma (suposta) crítica social.

A síndrome do título – também conhecida como Síndrome da Resignação – é um fenômeno típico da Suécia, onde crianças e jovens refugiados cujo asilo é negado entram, inexplicavelmente, num estado de coma. A família do longa é, claro, formada por refugiados, no caso, russos que buscam restabelecer-se na Suécia. 

Sergei (Grigory Dobrygin) é um professor dissidente que fugiu da Rússia após ser atacado pelo serviço de segurança do país. Com ele foram sua mulher, Natalia (Chulpan Khamatova), e as duas filhas pré-adolescentes, Alina (Naomi Lamp) e Katja (Miroslava Pashutina). Eles são submetidos a constantes interrogatórios, um tanto perversos até, e, por algum motivo que nunca fica claro, nunca são aceitos como refugiados – há algo neles que não permite que sejam classificados assim.

Nesse limbo político e existencial, a caçula Katja é a primeira sucumbir, deixando os pais desesperados – desesperados numa forma estranha, como tudo no filme de Avranas. A garota fica internada num hospital, e os pais podem vê-la apenas por poucos minutos por dia. Mas, enquanto ela estiver assim, têm autorização para ficar no país. 

Trabalhando a partir de um roteiro assinado por ele e Stavros Pamballis, o cineasta trabalha entre a burocracia da busca de asilo político e o estado de saúde das meninas, como uma metáfora para a paralisia que toma os refugiados diante de uma situação limítrofe, perdidos num não-lugar. São temas muito contemporâneos e urgentes, que nem sempre encontram a devida ressonância na maneira fria (o filme é todo em tons de cinza, azul escuro, bege pálido) com que Avranas lida com essas questões. 

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