18/07/2026

Gilda é uma professora que sofre de câncer incurável e só pensa em encontrar um modo de ter uma morte digna. Ela descobre uma empresa que intermedia esse tipo de ação e começa a frequentar suas reuniões para uma preparação. Lá conhece Amadeu, um jovem com a mesma intenção. Os dois acabam tendo experiências inesperadas.

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Vencedor de uma Menção Honrosa no Festival de Gramado 2025, Sonhar com Leões, do diretor greco-lusitano Paolo Marinou-Blanco, soube utilizar o seu grande trunfo, a presença da atriz Denise Fraga como protagonista, numa história de tema indigesto, a eutanásia.

Ultimamente, há vários filmes falando disso - caso dos recentes O Quarto ao Lado, de Pedro Almodóvar, e Uma Bela Vida, de Costa-Gavras -, o que prova que a discussão do tema da escolha de uma morte digna está na ordem do dia em todo o mundo. 

Apesar do assunto, o tom do filme é o mais leve possível, optando por recursos de sátira futurista ao imaginar uma empresa que proporciona assistência a pessoas, portadoras de doenças terminais e que tenham sobrevivido a tentativas de suicídio, no sentido de realizarem seu intento final. Uma delas é Gilda (Denise Fraga), uma professora que sofre de um câncer intratável e que não quer outra coisa do que uma morte indolor, enquanto ela ainda está de posse de suas faculdades.

Nas reuniões do grupo organizado pela empresa, ela conhece um jovem, Amadeu (o ator português João Nunes Monteiro), um agente funerário que compartilha do mesmo desejo de morte e que, por vários motivos, se torna seu parceiro de aventuras inesperadas.

Há algumas reviravoltas no rumo dos dois, lembrando um filme inglês de 1971, Ensina-me a Viver, de Hal Ashby, que retratava o envolvimento entre um jovem obcecado pela morte (Bud Cort) e uma velhinha cheia de vida (Ruth Gordon), embora os personagens aqui sejam diferentes. Esta é uma das várias camadas de um filme que a alguns poderá parecer bizarro, com um toque de realismo mágico e que envereda por uma chave irônica não raro sombria - mas não deixa de suscitar discussões relevantes sobre a liberdade individual.

Coprodução com Portugal e Espanha, Sonhar com Leões extrai seu curioso título do livro O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. 

 

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