03/07/2026
Drama

The Mastermind

Filho de um juiz, JB Mooney largou a faculdade de arquitetura e tornou-se carpinteiro. Casado e pai de dois meninos, ele não consegue emprego fixo. Morando com os pais, ele tem a ideia de roubar alguns quadros do museu de sua cidade. Mas seus planos parecem fadados ao fracasso. Na Mubi.

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Parecia o encontro marcado nas estrelas entre o ator inglês Josh O’Connor e a diretora norte-americana Kelly Reichardt. Ambos mestres na sutileza, uniram seus talentos para fazer The Mastermind - um filme que competiu pela Palma de Ouro em Cannes em 2025, em que, aliás, Josh estrelava outro candidato da competição, o melodrama sul-africano A História do Som, de Oliver Hermanus.

Concorrendo pela segunda vez em Cannes - a primeira vez foi em 2022, com Showing Up -, Kelly investiu sua energia para desconstruir as convenções do filme de roubo numa história em que a ironia começa pelo título - tudo o que o protagonista James Blaine Mooney (Josh O’Connor) não é é um “mastermind”, ou seja, um mestre, um mentor. 

Filho de um duro juiz, Bill Mooney (Bill Camp), de uma pequena cidade em Massachusetts nos anos 1970, JB é quase um adulto infantilizado. Casado e pai de dois filhos, largou a faculdade de Arquitetura, tornou-se carpinteiro e está desempregado. Por conta disso, vive com a mulher, Terri (Alana Haim), e os dois filhos (Jasper Thompson e Sterling Thompson), na casa dos pais, tendo que ouvir sermões constantes à mesa, tanto do pai como da mulher, que tem um emprego.

Mas nada que se passa na cabeça deste adulto mimado tem lógica ou propósito. Os projetos de JB são sonhos mirabolantes e perigosos. Ele não acha coisa melhor que fazer da vida do que pedir dinheiro à mãe, Sarah (Hope Davis), sob pretexto de um novo projeto, e bolar um plano para roubar alguns quadros de um pintor, Arthur Dove, de um pequeno museu local - onde ele já observou que o esquema de segurança é mínimo. 

JB é ingênuo e sem noção, assim como os parceiros que ele engaja nesta empreitada, Guy (Eli Gelb), Larry (Cole Doman) e Ronnie (Javion Allen). Nenhum deles com experiência em assaltos nem com conexão com o mundo real dos bandidos locais. 

Há humor neste preparo e na execução do roubo, a partir dos inevitáveis acidentes de percurso: como que não haveria aulas dos filhos no dia do roubo, a chegada de algumas garotas no museu e a passagem de um carro da polícia. Mas, na maior parte do tempo, o sentimento é do quanto JB e seus comparsas são realmente patéticos, perdedores num contexto em que havia o governo Richard Nixon e a guerra do Vietnã - referida através de protestos de rua e do noticiário na voz do popular âncora de TV Walter Cronkite.

Tudo isso é um material e tanto nas mãos de uma diretora tão hábil na construção e desconstrução de seus ambientes, como visto em filmes como O Atalho (2010) e First Cow (2019). Mas o que se vê é bem decepcionante. Esse personagem desastrado de JB, cada vez mais atolado em seus próprios erros, numa fuga igualmente atabalhoada - que inclui uma parada na casa dos amigos Fred (John Magaro) e Maude (Gaby Hoffman) - revela-se cada vez mais um poço sem fundo. Desconectado de tudo, ele não consegue despertar nem mesmo empatia.

Mesmo que se aceite que o que Kelly Reichardt procura é mesmo criar um ambiente de decepção e diluição, com evidentes possibilidades de conexão com a atual era Trump, essa intenção se esfarela junto com as tentativas desastradas deste anti-herói - um personagem que o mesmo Josh O’Connor viveu com bem maior eficácia em La Chimera, de Alice Rohrwacher.

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