03/07/2026
Drama

Depois da Caçada

Alma é uma professora de filosofia em Yale. Admirada por seus alunos, ela tem como seu melhor amigo Hank, com quem brevemente poderá disputar o cargo de professora titular. Mas a harmonia no campus é abalada quando Maggie, uma aluna de Alma, acusa Hank de estupro. No Prime Video (a partir de 20/11).

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Exibido no Festival de Veneza, fora de competição, Depois da Caçada ganhou atenção não só pelo elenco, liderado por Julia Roberts, como pelo tema. O roteiro do filme dirigido por Luca Guadagnino, assinado por Nora Garrett, indica a partir do título o desejo de explorar algumas contradições, fraquezas e dilemas do movimento #MeToo sem pretender, de fato, desautorizá-lo. É um caminho desafiador, embora interessante, mas que o diretor não encontra meios para tornar sólido o bastante.

Supostamente baseado em casos reais, o filme é ambientado na seleta Universidade de Yale - que permitiu filmagens em suas dependências -, manifestando também a intenção de mergulhar nos competitivos jogos de poder dentro do corpo docente. Neste momento, há uma iminente disputa pela titularidade entre dois professores, Hank (Andrew Garfield) e Alma (Julia Roberts) - que poderia tornar-se mais acirrada não fosse o fato de que ambos são melhores amigos há anos, cultivando uma intimidade que não parece incomodar o marido de Alma, o terapeuta Frederik (Michael Stuhlbarg).

A professora, que leciona Filosofia, tem também ardentes admiradores entre seus alunos, notadamente Maggie (Ayo Edebiri), que prepara seu doutorado. 

Entre estes personagens, o filme tenta dizer algo que não parece ter bem claro. Surge uma acusação de estupro de Maggie contra Hank e Alma é confrontada pela aluna a tomar seu partido - ainda que não tenha testemunhado a situação. De seu lado, Hank defende-se com uma versão que contesta Maggie, apontando para outras intenções por trás de sua acusação. Alma sente-se, como é natural, particularmente abalada pelo conflito e também por outras razões, que têm origem numa história mal-resolvida de seu próprio passado. 

Todo esse embate de posições é, sem dúvida, atraente e de apelo contemporâneo, contando ainda com componentes socioeconômicos e raciais. Maggie é uma aluna negra, filha de pais ricos e grandes doadores para a universidade, um contexto perante o qual Hank, de origem mais proletária, sente-se em desvantagem para ter credibilidade em seu protesto de inocência.

Dispostos os termos da polêmica, resta sua organização. E Guadagnino não consegue formar um todo compacto e envolvente, explorando mal o carrossel de emoções por trás de todas essas situações. A todo momento, o filme tropeça em cenas e diálogos mal-construídos, em conexões inconsistentes, que diluem sua contundência.

Não ajuda também a construção do som do filme, que inclui ruídos como um bastante óbvio tique-taque de uma bomba para sinalizar a aproximação de um confronto. Mesmo o uso da música parece atabalhoado. Na trilha, ouvem-se canções brasileiras, como a sublime Lígia, composta e interpretada por Tom Jobim, mas cuja escolha parece quase aleatória, pelo momento em que é inserida. 

Enfim, Depois da Caçada parece querer dizer alguma coisa mas ter perdido o rumo no meio do caminho. Faltou coragem ou clareza para ir mais fundo. 

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