Vencedor de três prêmios no Festival do Rio - melhor filme pelo voto popular, melhor atriz (Klara Castanho) e melhor figurino (Renata Russo) -, Salve Rosa, de Susanna Lira, é um suspense sobre um tema polêmico: a exploração de crianças por seus pais quando elas se tornam fenômenos na internet.
Rosa (Klara Castanho) é uma menina de 12 anos, que ganhou milhões de seguidores à frente do canal Brincando com Rosa. Ela acaba de mudar-se do interior de São Paulo para o Rio de Janeiro com a mãe, Dora (Karine Teles). Com uma vida cuidadosamente controlada por essa mãe, que espiona inclusive o celular da garota, Rosa está no centro de um polpudo contrato com um fabricante de brinquedos, que garante o patrocínio do canal e uma vida luxuosa para ela e a mãe, que trabalha como professora de português.
No novo condomínio onde passam a morar e também na nova escola que frequenta - onde sua mãe leciona -, Rosa é o centro das atenções. Todas as meninas querem ser como ela, especialmente Luana (Alana Cabral), sua vizinha. Mas ela mesma se ressente dessa vida onde não tem qualquer liberdade e onde seus amigos do passado não têm mais lugar. Pouco a pouco, aspectos sinistros dessa mãe superprotetora começam a surgir.
A menina desmaia um dia na escola e seu exame de sangue aponta uma alteração hormonal severa. Todas as noites, sua mãe lhe dá um copo de leite onde previamente pingou algumas gotas, para que a menina durma pesadamente enquanto Dora se diverte em baladas.
O roteiro de Ângela Hirata Fabri, desenvolvido a partir da idéia original de Mara Lobão, é um tanto rarefeito na construção dessa tensão em torno dos planos sombrios de uma mãe aparentemente amorosa. As situações vão se sobrepondo com detalhes e elementos clichês - como o envolvimento de Dora com o vizinho casado (Ricardo Teodoro, de Baby) - de uma forma que vai perdendo força, numa diluição que lembra novela das 6.
Interpretando o papel de alguém com metade de sua idade - o que causa alguma estranheza -, Klara Castanho mostra empenho e sinceridade, ainda que as cenas que lhe cabem interpretar sejam bastante ingratas. Karine Teles, uma atriz que conhecemos de trabalhos tão melhores como Benzinho e Que Horas Ela Volta?, está aqui desperdiçada como uma vilã um tanto maniqueísta, caricata, uma espécie de bruxa psicopata. O enredo não aprofunda esse fenômeno de que pretende tratar e a diretora Susanna Lira, tão competente em tantos documentários, quanto Torre das Donzelas e Fernanda Young - Foge-me ao Controle, aqui não encontrou o tom justo.
