18/07/2026
Documentário

Milton Gonçalves – Além do espetáculo

Com depoimentos de familiares e amigos, além de imagens de arquivo, o filme resgata a vida e trajetória do ator e diretor Milton Gonçalves.

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Um dos primeiros atores contratados da Rede Globo, Milton Gonçalves destacou-se na televisão, cinema e teatro. Além disso, foi um dos principais atores negros e sempre esteve presente na luta pela representatividade negra no audiovisual brasileiro. Fora tudo isso, como mostra o documentário Milton Gonçalves, Além do Espetáculo, era muito querido pelos familiares, amigos e colegas. 

O filme de Luís Antônio Pilar é uma celebração da vida e da obra de Milton, e basicamente isso. Resgata a história de sua carreira, em especial na televisão, com depoimentos de colegas como Tony Ramos, Maria Ceiça, Tony Tornado e Camila e Antônio Pitanga, outro pioneiro ator negro. Rico em imagens de arquivo e depoimentos do próprio Milton, o documentário segue a linha de qualquer programa televisivo sobre uma celebridade. 

Da paixão pelo Flamengo à homenagem da escola de samba Acadêmicos do Santa Cruz, da qual foi tema do samba-enredo em 2022, pouco antes de sua morte, tudo está presente no longa de Pilar. Depoimento resgatam sua importância, como quando se rebelou pelo fato de Sérgio Cardoso, com o rosto pintado de preto, fazia o protagonista da novela A Cabana do Pai Tomás, em que Milton era um coadjuvante, em 1969.

Em 1974, estreou como protagonista no cinema, depois de uma carreira de quase 20 anos, em Rainha Diaba, dirigido por Antonio Carlos Fontoura, que dá um longo depoimento no filme sobre esse trabalho. Há também falas sobre sua paixão e importância para o teatro. 

Sem fugir do esquema de cabeças falantes alternadas com imagens de arquivo, o documentário até toca numa polêmica, mas sem se aprofundar. O posicionamento político de Milton era controverso. Mesmo militando pela causa negra, ele não era, fica claro no filme, um homem de esquerda - embora Antônio Pitanga conte rindo que até tentou trazê-lo para esse lado. Já outras pessoas tentam contemporizar, dizendo que ele não era bem de direita, ou não de uma direita fascista, como aponta um entrevistado. Em 1994, Milton se candidatou a governador do Rio pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Essa controvérsia domina poucos minutos do documentário, que logo muda o tema para a paixão que ele tinha pelo Flamengo, do qual era sócio emérito. No fim, é uma homenagem apenas sem se aprofundar na complexidade dessa figura. 

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