02/07/2026
Drama

O Sítio

Uma família de classe média viaja para sua casa de campo, e, ao chegar lá, encontra o local depredado. Enquanto tenta resolver isso, uma tragédia acontece e eles tentam encobri-la.

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Uma combinação de Lucrécia Martel e terror social rondam toda a duração do argentino O Sítio, escrito e dirigido por Silvina Schnicer, um filme que dá conta do mal-estar e ambiguidade moral do país governado por Javier Milei. 

De Martel, a elite privilegiada, mas decadente e alienada no seu mundinho aparentemente perfeito, mas que esconde o horror debaixo de um verniz. Uma família urbana viaja para o locus que dá título ao filme para passar uma temporada, e o encontram depredado. Rudi (Sebastián Arzeno) tenta convencer os demais vizinhos de que a culpa é do vigia Tomás (Alejandro Gigena). Tensão de classe logo se estabelece aí, mas as coisas se complicam ainda mais com a presença de crianças que, sem saber, cometem um crime. 

Schnicer é uma diretora de sutilezas e detalhes. As coisas, de certa forma, custam a acontecer, e isso não é um demérito, é uma característica de um filme que se ergue num tempo próprio, contrário às ansiedades mais afoitas do presente. É preciso dar um voto de confiança a essa narrativa para entender de algo muito complexo está acontecendo, e camadas da sociedade argentina contemporânea serão reveladas. 

O que realmente aconteceu, na trama, não importa muito. A Schnicer interessa a rede de situações sociais criadas para encobrir o que aconteceu, e, nesse sentido, é um olhar para uma classe dominante capaz de ir até onde for necessário para se proteger.

O filme dá conta do trauma e opressão de forma contida. A diretora é cuidadosa para criar clima e tensão sem subterfúgios baratos e fáceis e, nesse caminho, trilha o horror daquele tipo protagonizado por crianças não ingênuas mas que testam os limites de sua liberdade. Há um revestimento de privilegio de classe que serve para esconder o que há de podre por baixo do que parece irretocável.  Schnicer sabe muito bem como explorar esse casulo – o que há por dentro e o que há por fora. 

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