Will Arnett é uma revelação como protagonista da comédia melancólica Isso ainda está de pé? É uma pena, no entanto, que o diretor e coadjuvante Bradley Cooper insista em querer roubar o show ou atrapalhar o brilho do colega. Em seu terceiro longa como realizador, Cooper bate na mesma tecla temática: a vida pessoal de performers. Se em Nasce uma Estrela e em Maestro o foco eram pessoas famosas (fictícias e reais), aqui o longa concentra-se em Alex Novak, um homem passando por um divórcio e crise existencial que descobre, por acaso, um novo talento na comédia stand-up.
Como Novak, Arnett comanda a cena, em especial quando sobe ao palco pela primeira vez, sem ter noção do que está fazendo ou como fazer as pessoas rirem. O que começa quase como uma vergonha, se torna uma espécie de vício saudável, um substituto da terapia, permitindo ao personagem, no palco, abrir seu coração numa verve cômica. Quase tudo passa por escrutínio aqui, de seu casamento aos pais. Mas Novak o faz sem maldade, não é uma vingança, uma exposição, pois o riso é sempre tirado dele mesmo, não das pessoas que o cercam.
Baseado numa figura real, o comediante inglês John Bishop, que Arnett conheceu por acaso, o longa funciona muito melhor quando é sobre esse personagem. Os problemas começam quando o roteiro quer se expandir para outros personagens, como a ex-mulher de Novak, Tess (Laura Dern), uma jogadora de vôlei olímpica que se aposentou para cuidar do marido e dos filhos de 10 anos, frutos de uma fecundação in-vitro.
Tess sobrevive no filme graças ao talento, carisma e brilho de Dern. Mal resolvida como personagem, a ela cabe um olhar masculino que a resume em gravitar em torno do marido, por mais que se insista do contrário. Ela não existe, enquanto personagem, para além das expectativas dele – mesmo quando ela volta à ativa, trabalhando com a equipe técnica da seleção estadunidense, a vemos pelos olhos de Novak. Tess não tem vida própria, nem separada, consegue se afastar do marido, e volta a ter um caso com ele.
Há um outro personagem coadjuvante pior ainda: Balls, interpretada por Cooper, que insiste em tomar o filme para si toda vez em que aparece em cena. Ele é um ator de segunda linha de cabelos compridos e oleosos, barba malcuidada e em busca de sucesso. Quando está em cena, Cooper é histriônico, destoa da sutileza de Arnett, tentando chamar a atenção para si. Fora isso, como diretor, ele também mais atrapalha do que ajuda. A câmera que chacoalha o tempo todo, a montagem espalhafatosa que raramente dá tempo às cenas, ou a superficialidade no trato da arte da performance ou dos relacionamentos humanos depõem contra Isso Ainda Está de Pé?. Se Arnett ainda se destaca não é por conta do conjunto, mas por mérito próprio.
