02/07/2026
Drama

O Caso dos Estrangeiros

Cinco histórias sobre a guerra civil na Síria e a crise dos refugiados tenta fazer um painel sobre esses temas atuais num filme marcado pela sua ingenuidade.

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Na abertura do Festival de Berlim 2026, Wim Wenders se envolveu numa polêmica na apresentação do júri da competição principal, do qual ele era o presidente. Ao ser perguntado sobre o genocídio em Gaza, sua resposta surpreendeu a muitos quando ele defendeu que “precisamos ficar fora da política porque, se fizermos filmes dedicados à política, entramos no campo da política.” Muita gente, talvez não sem razão, apontou o comentário como uma ode a filmes despolitizados. Os premiados do festival, no entanto, apontam para outro lado.

Tudo isso para dizer que O Caso dos Estrangeiros é um longa que agradaria o Wenders despolitizado, ou quem quer que seja que prefere a política longe de seus filmes. Mesmo lidando com temas e acontecimentos eminentemente políticos – como a guerra civil na Síria e a crise dos refugiados – faz malabarismo para os transformar em acontecimentos pessoais destituídos de valor histórico. 

O produtor e ativista estadunidense Brandt Andersen estreia como roteirista e diretor, e não há a menor dúvida de que suas intenções sejam as mais nobres, a de denunciar (algo que o jornalismo já fez melhor) ou a de retratar as vidas destroçadas pela guerra – nada de muito novo, especialmente na maneira como ele se põe como um branco salvador.

Dividido em cinco segmentos, o longa começa num hospital em Chicago, e tem ao centro Amira (Yasmine Al Massri), uma síria que teve de deixar seu país destruído pela guerra. No segundo episódio, Mustafa (Yahya Mahayni) é um soldado das Forças Armadas Árabes Sírias, que segue ordens cegamente, até que vê um ato de violência.

Omar Sy é o ator mais famoso do elenco e interpreta o personagem mais complexo, Marwen, um homem que mora na Turquia e ajuda refugiados, por um alto valor, a saírem do país,  pouco se importando se eles chegam ao seu destino ou não. O valor cobrado é o mesmo, diz ele. Em casa, ele é um amoroso pai solo de um menino. 

Já Fathi (Ziad Bakri) é um pai de família amoroso que tenta tirar sua família de um campo de refugiados na Turquia. E, por fim, Starvos (Constantine Markoulakis) é um capitão da Guarda Costeira grega que ajuda refugiados, mas se sente culpado por aqueles que não conseguiu ajudar. 

Nessa miscelânea, Andersen segue algo meio no estilo que Alejandro González Iñárritu fez em Babel, tentando conectar lugares e personagens, mas o faz sem qualquer destreza ou sutileza. Assim, tudo acaba sendo superficial, caricato e um tanto sensacionalista. 

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