02/07/2026
Drama

O Drama

Um casal faz os preparativos do casamento. Mas um dia, à mesa com amigos, uma confissão inesperada dela sobre o passado faz com que ambos comecem a duvidar de seus propósitos. Nos cinemas.

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O Drama é um filme que se vende pelo seu suspense. O trailer deixa um gancho perfeito para atiçar a curiosidade das pessoas. A personagem de Zendaya confessa que fez algo tão horrível que o personagem de Robert Pattinson pensa se deve mesmo se casar com ela – detalhe: a cerimônia é dali a poucos dias. Essa questão segura quase metade do filme e, quando a verdade vem à tona, fica uma dúvida ainda maior no ar, pois a jovem está sendo julgada por todos por algo que talvez devesse ser acolhida. 

Essa é uma questão que o filme, escrito e dirigido pelo norueguês Kristoffer Borgli, tal como em seu longa anterior, O homem dos sonhos, tem uma execução aquém da concepção. O complexo jogo moral que se arma ainda no começo do longa, quando Emma (Zendaya) e Robert (Pattinson) revelam um ao outro seus piores atos, logo se dissolve em lances cômicos mal resolvidos, que substituem tensão por cinismo. 

A questão no filme é: o que vale é a intenção? Se isso é mérito de julgamento, O Drama se coloca na mesma posição de sua personagem. Estamos num mundo, diz o longa, de julgamentos e condenações, mas, acima de tudo, de hipocrisias. Emma quer dispensar a DJ da festa de casamento pois a viu usando drogas na rua. Robert pensa em não se casar por um ato do passado da futura mulher, mas se mostra dissimulado por ser infiel. 

São questões que Borgli joga sem saber muito bem o que fazer com elas, e como as desenvolver, uma vez que tudo no filme se dá na superfície. Zendaya e Pattinson são esforçados e se entregam mais do que o filme merece, e ainda mais do que tem a oferecer a eles – o que é uma pena, pois é inegável que seja visualmente bem filmado, e, especialmente, bem atuado. 

O Drama pode funcionar mais como diagnóstico de um presente ansioso de julgamentos, no qual tudo se dá na superfície, desde sentimentos a laços de afeto. Por isso, se desmancham tão facilmente. Rachel (Alana Haim) está feliz por ter sido convidada por Emma para ser a madrinha de casamento, mas quando o tal fato vem à tona, ela é a mais revoltada com tudo. Ela tem um motivo pessoal para isso, talvez justificável, mas, como todos personagens, substitui o diálogo por reações exacerbadas. 

Enquanto sátira, O Drama é incapaz de enxergar um palmo diante dos olhos. Borgli, como tantos e tantas cineastas do presente, não tem a finesse de figurar os horrores em que vivemos, para poder fazer disso material histórico para sátira. Talvez, no presente dos EUA, só Jordan Peele mesmo seja capaz de lidar com isso. E é por isso que precisamos de um novo filme dele com urgência. 

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