02/07/2026

Em 1953, com apenas 28 anos, o psiquiatra martiniquenho Frantz Fanon assume a direção da divisão de psiquiátria do hospital Blida, na Argélia. Ali muda as regras cruéis de confinamento dos pacientes árabes, contratando também funcionários locais que falassem sua língua. Ao mesmo tempo, engaja-se na luta pela independência daquele país, formulando também teses que ele publicaria em livros marcantes, como "Os Condenados da Terra". Nos cinemas.

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A cinebiografia do psiquiatra e pensador anticolonial francês Frantz Fanon, dirigida por Jean-Claude Barny, demonstra a preocupação de ser detalhista - e isso é positivo, ainda que isso acarrete um tom um tanto didático. Mas isso, de qualquer modo, tem sua utlilidade por trazer informações a um público que talvez desconheça a figura de um grande pensador, revolucionário, anticolonialista e antirracista, que teve o infortúnio de uma morte precoce, aos 36 anos, em 1961 - justamente quando se iniciava a descolonização de diversas nações africanas, uma causa para a qual ele tanto contribuiu.

Nascido na Martinica, então colônia francesa, em 1925, Fanon formou-se psiquiatra e, nessa função, transferiu-se à Argélia. Tinha apenas 28 anos ao chegar ao país africano para assumir a chefia da divisão psiquiátrica do Hospital Blida. De cara, chocou-se com as  condições lamentáveis impostas aos pacientes árabes, segregados em alas separadas, em situação abominável, desumana - mais um sinal de como o colonialismo exercia sua opressão. 

Logo o psiquiatra muda completamente essas regras, soltando os pacientes para atividades ao ar livre e trazendo para cuidar deles funcionários também árabes, que pudessem compreendê-los. Uma mudança vista com desdém pelo diretor-geral, Auguste Darmain (Olivier Gourmet), impregnado de um conservadorismo cheio de racismo. Algo que o próprio Fanon, sendo negro, compreendia muito bem, vivendo na pele situações tensas também na Argélia, com colonos franceses que não o aceitavam numa posição de destaque.

Ao mesmo tempo em que deflagrava esta experiência libertária no hospital, Fanon entrava em contato com a dura realidade argelina, engajando-se na luta pela independência desse país da França. Aperfeiçoava, assim, um pensamento que se traduziu numa expressiva produção intelectual, em livros como Os Condenados da Terra.

O filme dá conta de episódios essenciais dessa biografia mas não se espere nenhuma ousadia estética ou formal. De todo modo, há um profundo respeito e sobriedade neste que é também um relato honesto, que resgata uma figura cuja radicalidade faz muita falta num mundo assombrado pela extrema-direita.

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