16/07/2026
Drama

Surda

Angela e Hector vivem um casamento cheio de paixão. Ela é deficiente auditiva, ele ouvinte. Esperam ansiosamente ter um filho e, quando ela engravida, a situação abre as perspectivas de uma série de dúvidas e desafios. No Prime Vídeo, AppleTV, Google TV, YouTube, Vivo TV e Claro tv+.

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Vencedor de três prêmios Goya, Surda, da diretora estreante Eva Libertad, inova ao tratar com frescor um assunto até muito abordado, mas não desta maneira, sendo capaz de colocar o espectador ouvinte dentro da pele de sua protagonista deficiente auditiva, a extraordinária Miriam Garlo - que venceu o Goya como atriz revelação.

Para que esta empatia com o público possa se produzir, é fundamental o trabalho de som do filme, assinado por Urko Garai e Enrique G. Bermejo. Em algumas cenas, o som que ouvimos reproduz como este é captado pela protagonista, Angela (Miriam Garlo), quando coloca o aparelho auditivo, explodindo em decibéis insuportáveis, o que explica porque sua recusa a usá-lo, depois de inúmeras tentativas ao longo da vida. Ela optou por relacionar-se com o mundo a partir deste silêncio, recorrendo à linguagem de sinais e contando com a própria sensibilidade e a de quem se dispuser a conviver com ela. 

O filme de Eva Libertad, que também assina o roteiro, é muito direto e honesto nesta colocação da história sob a perspectiva de Angela em toda a sua singularidade. Ela é uma bela mulher, sensível e sensual, que vive um casamento feliz com Hector (Álvaro Cervantes, também premiado com o Goya), que é ouvinte. Essa gratificante vida em comum é quebrada pela chegada de um filho que, mesmo ansiosamente desejado por ambos, coloca alguns desafios pela frente. Para começar, a angústia: o bebê será surdo ou não? 

O nascimento dispara uma série de contradições para Angela, porque, sendo a menina ouvinte, ela é estimulada a compartilhar o mundo do pai e dos avós, mas não o de Angela - como ela poderá comunicar-se com a filha? Como esta poderá entendê-la? 

Apoiada em seus ótimos atores, a diretora consegue transformar todos estes dilemas em um complexo retrato de relações humanas que nunca evoca a piedade - apenas a ênfase na liberdade de sua protagonista de escolher como viver a sua singularidade, reivindicando seu direito a exercer a maternidade dentro dessa perspectiva. Por tudo isso, não são poucas as questões que Surda suscita, todas muito apaixonantes, porque o filme nos coloca num lugar de descoberta e empatia. 

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