Depois de um filme como o recente Caso 137, não deixa de ser frustrante algo como As pessoas do lado, do veterano André Téchiné, em que Isabelle Huppert interpreta Lucie Muller, uma policial durona que entra em crise ao saber que seus novos vizinhos, um jovem casal e sua pequena filha, são ativistas contra a violência policial.
O roteiro, escrito por Téchiné e Régis de Martrin-Donos, foca em dilemas morais pessoais, sobre como o jovem casal Julia (Hafsia Herzi) e Yann (Nahuel Pérez Biscayart) enfrenta a verdade ao saber da profissão da nova amiga, a quem tanto se afeiçoaram. E, obviamente, o casal tem uma filha pequena e fofa que se encanta com a nova vizinha.
Depois de passar um ano afastada após o suicídio de seu colega e companheiro, Slimane (Moustapha Mbengue), Lucie se sente pronta a voltar ao trabalho, e os novos vizinhos são os únicos amigos que tem fora da corporação. Ela diz apenas que é uma funcionária pública, pois sabe que Yann está em condicional e é um ativista anticapitalista.
A amizade fica abalada quando a verdade vem à tona. Yann se sente traído, enquanto Julia tenta entender o lado de Lucie. A busca por conexão entre pessoas em lados opostos é um tema caro ao diretor. No papel, As pessoas do lado parece promissor, mas a realização, nem tanto. Huppert não tem muita chance com sua personagem envolvida em clichês, enquanto Pérez Biscayart e Herzi têm personagens melhores, mas o roteiro insiste nos diálogos excessivamente explicativos.
Com 80 minutos, o longa parece não estar completo. As cenas não se conectam direito e a câmera injustificadamente tremida só atrapalha. Enquanto o arco das personagens soa mais falso do que a tatuagem cenográfica no braço de Huppert.
