Cansei de Ser Nerd é uma comédia nacional que parece querer surfar numa onda que já se dissipou, e o olhar nostálgico meio empoeirado não ajuda muito também. É um filme que estaria em sintonia com a década de 1990, ou os primeiros anos do século XXI, mas, nesse momento, olha para um passado repleto de nostalgia sem saber muito o que fazer com ele, resultando em algo que faria sucesso numa Tela Quente de 30 anos atrás.
Como tudo que existe no mundo em que vivemos, o nerd e sua cultura, tão renegados no passado, se mostram um mercado potente, com seus produtos caros e consumidores ávidos por colecionáveis. O filme mira nesse potencial, enquanto possibilidade de bilheteria, sob o verniz de carinho com a cultura nerd – talvez os personagens aqui sejam mais geeks do que exatamente nerds, mas, enfim, tanto faz.
Se o filme vinha, no começo, com o propósito de desmitificar o estereótipo do nerd, acontece exatamente o contrário. Aírton (Fernando Caruso) é um nerd típico, demonstrando um comportamento fora de sintonia com sua idade, mas tudo bem, faz parte. Na juventude, foi acusado do ser responsável pelo desaparecimento de uma amiga, e isso destruiu sua vida.
Como é uma comédia, a gravidade disso tudo – do sumiço, da acusação falsa – é tratada de forma leve. Aírton é inseguro, emocionalmente limitado, paranoico – e tudo isso é, supostamente, divertido dentro do universo do longa cujo roteiro é assinado pelo diretor, Gualter Pupo, Renato Fagundes, Thaisa Damous e Luiz Noronha.
O reencontro com antigos amigos dá ao protagonista a chance de acertar as contas com o passado, mas, tal qual um brinquedo Transformer, Cansei de Ser Nerd não quer ser uma coisa só, e atira para diversos lados e gêneros. E nada funciona pois seu objetivo não é bem se desenvolver de forma cinematográfica, mas elogiar os nerds – e não há nenhum problema nisso, desde que se saiba como fazer.
Comédia romântica, suspense, ficção-científica são alguns dos elementos despejados nesse caldeirão de cultura, sem nunca tentar superar os clichês. No cinema, esses são sempre um atalho a ser evitado pois denunciam mais as dificuldades de construção de um filme do que um facilitador. Se Cansei de Ser Nerd não se levasse tão a sério em sua obsessão em parecer descolado, conseguiria ser realmente engraçado.
