05/06/2026
Drama

E Seus Filhos Depois Deles

Depois de um incidente envolvendo uma briga e o roubo de uma moto, as vidas dos jovens Anthony, Steph e Hacine ficam marcadas para sempre. Ao longo dos anos, as consequências daqueles acontecimentos se acentuam.

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O processo de desindustrialização, especialmente de pequenas cidades europeias, tem se refletido em filmes sobre juventudes esmaecidas, afundando num processo marcado pela ausência de perspectiva de um futuro melhor. E seus filhos depois deles, escrito e dirigido por Ludovic e Zoran Boukherma, não é diferente. A crítica social, no entanto, não encontra respaldo na trajetória emocional das personagens, e o longa acaba se perdendo em seus quase 150 minutos. 

Partindo do premiado romance de Nicolas Mathieu, os gêmeos Boukherma tem diante deles mais do que conseguem absorver no cinema. A longa lista de inspirações literárias do autor francês (que inclui John Steinbeck e Émile Zola) nunca dá as caras no filme, assim, a trama se arrasta numa toada que não é tão densa quanto imaginam os jovens cineastas. 

O filme chegou ao circuito francês – depois de uma estreia morna na competição do Festival de Veneza de 2024 – com o pedigree do romance famoso e premiado, uma vantagem que desconhece em outros países, que compram o longa pelo preço que ele se vende: alto e dando pouco em troca. 

Na cidade fictícia ao leste da França, as antigas fábricas são como esqueletos lembrando um passado de esperança econômica. No verão de 1992, Anthony (Paul Kircher) espera deixar o lugar um dia. Enquanto isso não acontece, precisa lidar com o pai alcoólatra, Patrick (Gilles Lellouche). Um dia ele conhece Steph (Angélina Woreth), jovem de classe média com aspirações a entrar numa faculdade. 

Ela o leva para um festa onde ele se estranha com Hacine (Sayyid El Alami), um rapaz também nervosinho de uma família marroquina, que, para se vingar, rouba a moto que Anthony usou para ir à festa, e que pertence a Patrick. Antes que ele perceba, o protagonista e sua mãe, Hélène (Ludivine Sagnier), tentam recuperar a moto, mas as coisas desandam.

A partir daí, o filme acompanha mais três verões e as consequências desses atos nas vidas dos personagens. Removendo, também, os comentários sociais e as tensões de classe do livro de Mathieu, o que sobra no filme são eventos pouco interessantes da vida do trio de jovens, que, na tela, parecem mais clichês de representação de estereótipos do que seres humanos de verdade. 

 

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