Como diria Paulo Emílio Sales Gomes, Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste é um filme genuinamente brasileiro. Isso é uma piada interna que só o público do filme ou da série original vai entender, mas basta dizer que é bem e muito usada nessa animação infantil gerando um divertido efeito de humor.
Com direção de Ale McHaddo, o longa é uma celebração da cultura nacional de forma bem engendrada, com referências a outros ícones do cinema internacional, como Planeta dos Macacos. Os heróis do filme viajam, acidentalmente, para o futuro do país, e lá encontram um nordeste transformado em deserto, e a estátua de Padre Cícero parcialmente enterrada na areia – tal qual a Estátua da Liberdade no clássico estadunidense. É uma alusão que o público-alvo, possivelmente, não entenderá, mas que prova que seus acompanhantes adultos não irão se entediar com o filme.
Os protagonistas da animação retrofuturista são cangaceiros e cangaceiras de 1933, que são transportados para 3333, no Neo Nordeste, onde algumas coisas não mudam – como o coronelismo, mas, por ser um filme para crianças, isso aparece numa forma leve e divertida, nem por isso menos crítica.
Capitão Rocha (dublado por Bruno Garcia) é o líder do grupo, um sujeito destemido, que gosta de parecer sabido usando frases do tipo “Como diria fulano...”. Bonita (Raissa Xavier) é uma jovem inteligente e empoderada. Siv (Tadeu Mello) é atrapalhado e divertido e Rimbi (Carol Góes) é pragmática e destemida. E Cabra da Peste (Marcelo Mansfield) é o coronel futurista que domina e oprime o Neo Nordeste roubando recursos naturais.
McHaddo, uma diretora com experiência na comédia e na animação, se mostra afiada na criação de tipos engraçados e situações divertidas, marcada por um retrato simpático do Nordeste e dos cangaceiros.
