Fruto de uma pesquisa e desenvolvimento que consumiu 10 anos, o longa documental Buenosaires, da diretora Tuca Siqueira, registra a peculiar experiência de uma cidade no interior de Pernambuco que adotou o nome da capital argentina, mantendo com os hermanos uma ambígua relação de admiração e rejeição. Ao mesmo tempo que a escolha do nome, adotado quando ascendeu de distrito a cidade, traduz uma fantasia de tornar-se melhor e maior, isso não significa incorporar hábitos como comer empanadas ou interessar-se por cursos de espanhol, ambas iniciativas tentadas e fracassadas na cidade.
Onde a influência portenha se mostra mais nítida é no futebol, não só pela existência de uma estátua de Diego Maradona como ter um time local batizado como Boca Juniors, além da torcida declarada de boa parte da população pela seleção argentina em Copas do Mundo. No mais, a cidade pernambucana não troca o maracatu pelo tango e conta, entre seus 13.000 habitantes, com apenas um solitário morador argentino, Leonardo Caponi.
De todo modo, o fato mostrou ser inusitado o bastante para merecer uma reportagem do jornal argentino La Nación. E o filme serve para discutir conceitos como identidade e pertencimento, embora mantendo um tom ameno e sem maiores pretensões sociológicas.
