Primeiro longa de Tocantins a ser selecionado no Festival de Gramado - na edição de 2023 -, o drama O Barulho da Noite, teve uma produção atribulada ao longo de 20 anos. Nesse período, a diretora Eva Pereira pesquisou a história de muitas mulheres no Tocantins para elaborar um roteiro abordando o difícil tema do estupro e do abuso sexual contra crianças. Ao centro da história, está a família formada pelo sitiante Agenor (Marcos Palmeira), sua mulher Sônia (Emanuelle Araújo) e as duas filhas pequenas (Alicia e Analice), cuja rotina é abalada pela chegada de um misterioso sobrinho, Ataíde (Patrick Sampaio).
O desejo feminino é motor da história, quando Sônia vê despertada sua sexualidade por Ataíde, precipitando um drama que arrasta a família e afeta também o destino de suas filhas.
Não faltou quem se incomodasse com as decisões tomadas pela personagem feminina na história, um tema levantado no debate do filme em Gramado. A diretora, no entanto, assim como a atriz Emanuelle Araújo, defenderam as escolhas tomadas na ficção: “O incômodo é importante e necessário. O que existe, nessas situações, são mulheres sozinhas. Se elas falarem, morre todo mundo. Elas não falarem é uma defesa. Que esse incômodo possa levar a gente a olhar esse Brasil escondido como ele é”, afirmou a atriz.
A diretora, por sua vez, ressaltou: “O que paralisa essas mulheres na denúncia é a total falta de apoio em volta delas, inclusive nos círculos familiares”.
No tocante às atrizes mirins, escolhidas na região do filme, a produção teve o cuidado de acompanhá-las com uma preparadora de elenco, Tatiana Muniz, e também um seguimento posterior às filmagens, com um psicólogo, para dar suporte em sua reinserção no meio rural de onde provieram.
