11/06/2026
Drama

Criadas

Quando, no passado, a mãe de Sandra trabalhou como doméstica na casa de sua prima, a menina ficou bem próxima da filha da patroa e sua parente, Mariana. Agora adultas, elas se reencontram depois de anos sem contato.

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Premiada curtametragista e roteirista, Carol Rodrigues estreia na direção de longas com Criadas, um drama que toca em discussões do presente. O clichê “ela é praticamente da família” para se referir a empregadas domésticas ganha novos contornos com as personagens do filme – afinal, patroa e empregada são realmente família: são primas. Os laços de consanguinidade e afeto, no entanto, passam a ser mediados por relações de trabalho que, como não poderia deixar de ser, são marcadas pela exploração e opressão. 

A prima “rica”, interpretada por Sarito Rodrigues, casou-se com um funcionário público e conseguiu contratar uma empregada, que veio morar em sua casa com a filha pequena, que se tornou próxima à filha da patroa - afinal as duas meninas são primas. Anos depois, elas se reencontram e mostram diferentes visões de mundo e de sociedade. 

Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), filha da dona da casa, e Sandra (Mawusi Tulani) têm diversas pontas soltas de um passado visto por ângulos diferentes por cada uma. Agora, a primeira é uma chef de cozinha, enquanto a outra trabalha numa empresa de engenharia num cargo elevado. As duas resolvem morar juntas. Pra que? 

Desse reencontro surgem elementos da sociedade brasileira contemporânea que perduram há séculos, como o racismo e tensões de classe, que eclodem no espaço dividido pelas duas mulheres. Mariana, que tem uma empregada negra e estrangeira, tem a pele mais clara, o que lhe confere maior aceitação social do que a prima de pele mais escura.

Esses dramas, marcados também por questão de gênero, são um substrato para o filme, que tem as melhores intenções do mundo, mas nem sempre encontra uma boa forma cinematográfica para explorá-las. As personagens estão sempre verbalizando pensamentos e sentimentos, deixando-se a construção fílmica em segundo plano. Talvez por influência da televisão ou de séries, o filme não materializa sutilezas ou nuances, levando a narrativa a lugares que não permitem muito espaço para o questionamento; tudo está pronto na tela. Nesse sentido, não sobra muita oportunidade para a reflexão, pois este é mais um filme de tese, que faz de tudo para provar sua ideia de que o racismo é atravessado, também, por questões de classe. Não há dúvidas de que isso é verdade, mas, ao se concentrar nesse ângulo, para usar uma expressão do filósofo Paulo Arantes, Criadas arromba porta aberta. 

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