Comédia dramática musical, Hit para Dois, do diretor irlandês John Carney, é aquele tipo de filme gostoso de ver, com uma trama simples mas que não cede à banalidade para cativar. Tira partido da melhor forma da versatilidade do ator Paul Rudd, interpretando um músico norte-americano radicado na Irlanda.
Roqueiro que veio ao país como parte de uma banda, ele se apaixonou por Rachel (Marcella Plunkett) e teve uma filha, Aja (Beth Fallon). Acabou ficando e formando uma família feliz, mas que, para a própria sobrevivência material, levou Rick a abandonar seus sonhos musicais mais altos como compositor. Ele continua compondo mas, para ganhar a vida, integra uma banda que se apresenta em casamentos - em que o repertório encomendado gira sempre em torno dos hits das bandas mais famosas do mundo. Ninguém ali quer ouvir nada de original.
Num desses casamentos, dá-se o encontro que deflagra a trama. Um amigo dos noivos é o jovem Danny Wilson (Nick Jonas, um dos Jonas Brothers), um ex-cantor de banda juvenil que está iniciando a carreira solo. Ele e Rick se aproximam e trocam uma longa conversa, regada a álcool e drogas, numa noite em que há também uma troca de dicas sobre músicas. Meses depois, Rick tem a desagradável experiência de ouvir uma de suas canções, tocada naquela noite, How to Write a Song, como um sucesso mundial na voz de Danny.
Rick é aquele tipo de homem comum com quem a platéia não tem como não simpatizar, ainda mais como vítima de uma fraude deste tamanho. O problema é que ele não tem como provar que a canção é originalmente sua. Muitos nem mesmo acreditam nisso, inclusive em sua própria família e na banda de casamentos. Enquanto isso, Danny vai se tornando mais famoso e mais rico em turnês mundiais em que a canção roubada é o hit principal.
O roteiro, escrito por Carney e Peter McDonald (que também atua como Sandy, o amigo amalucado de Rick), é esperto o suficiente para delinear as situações dos personagens, gerando empatia que garante que o público se interesse pelas aventuras/desventuras de Rick, em determinado momento voltando aos EUA com Sandy para cobrar aquilo que é seu. Assim garante momentos de genuína diversão nessa empreitada, sem afastar-se do princípio da dignidade inquebrantável de Rick - um herói pai de família, que renunciou à tentativa de fama por amor. E nada disso implica nenhuma dose de babaquice.
Nick Jonas, por seu lado, faz o básico, como um cantorzinho jovem angustiado por não conseguir produzir um sucesso rápido, como é cobrado pelo empresário (Jack Reynor). Não compromete o filme, em que brilha o talento de Paul Rudd e faz bonito a sua turma: sua família e o maluco Sandy.
