30/07/2026
Documentário

A Fabulosa Máquina do Tempo

Em Guaribas, no interior do Piauí, cidade-piloto do Bolsa Família, em 2003, um grupo de meninas pré-adolescentes fabulam sobre seus sonhos e a realidade em que vivem. Nos cinemas.

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No documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, a cineasta Eliza Capai (Incompatível com a vida) transforma a pequena cidade de Guaribas (interior do Piauí) numa espécie de microcosmo do Brasil. Nesse filme de uma bela fotografia solar, assinada por Carol Quintanilha, capta-se a vida de um grupo de garotas pré-adolescentes de forma carinhosa e curiosa, acompanhando-as em seu processo de descobertas sobre si mesmas e o mundo que as cerca – além da dura realidade de ser mulheres num país tão marcado pelo machismo e o patriarcado como o Brasil.

O mais interessante é como Capai coloca sua câmera à altura das garotas, deixando que elas vivam suas vidas com alegrias, desafios e brincadeiras sem que o filme interfira diretamente. É um universo lúdico que permite o trânsito entre a fantasia – em especial uma máquina do tempo imaginária – e a realidade, como a escola e o convívio com os pais. 

A montagem, feita pela diretora e Daniel Grinspum, permite que o filme encontre a complexidade em sua aparente leveza, mas que revela de maneira profunda estruturas sociais do Brasil. As brincadeiras, por exemplo, materializam a vida social delas e do que as cerca. Já o cinema introduz uma camada de fantasia, de possibilidades que vão além do realismo e da realidade. 

Nessa dialética entre o real e possível e a fantasia e o imaginário, A Fabulosa Máquina do Tempo descortina um Brasil repleto de possibilidades e avanços que só programas sociais e investimentos em educação e cultura poderão trazer. Guaribas, em 2003, tornou-se a cidade-piloto do Bolsa Família, um investimento que transformou radicalmente o lugar, que tinha um dos menores índices de desenvolvimento humano do país, e uma taxa de analfabetismo de quase 60%.

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