25/06/2026
Drama

Uma Infância Alemã

Refugiado com a mãe, os três irmãos e a tia na casinha de praia de sua família, nos últimos dias da II Guerra, o menino Nanning tem que enfrentar a escassez de alimentos numa Alemanha em derrocada e também a descoberta de segredos incômodos da história de sua própria família nazista. Nos cinemas.

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Fatih Akin voltou à direção especialmente para concluir um projeto que havia iniciado como produtor, de autoria do colega Hark Bohm. Uma Infância Alemã é, aliás, uma iniciativa profundamente pessoal de Bohm, já que se baseia em suas memórias de infância. Mas, finalmente, o veterano roteirista, ator e diretor, parceiro de Akin em filmes como Em Pedaços e O Bar Luva Dourada, morreu no final de 2025. Akin assumiu então a conclusão deste belo e delicado filme.

A ilha de Amrum, cenário da história, é uma espécie de microcosmo da Alemanha nos últimos dias da II Guerra, em 1945. O foco principal está numa família nazista, formada por Hille Hagner (Laura Tonke), que veio se refugiar na velha casa de praia de sua família com os três filhos - um quarto está para nascer - enquanto o marido, um oficial, está no front. 

A simpatia nazista fica evidente nas conversas de Hille com os filhos e também no retrato de Adolf Hitler na parede. Mas o cotidiano é bem duro, evidenciando a derrota iminente do II Reich. Nanning (o extraordinário Jasper Billerbeck). o filho mais velho, de 12 anos, vive essa derrocada nacional na pele. Desdobra-se entre a escola e o trabalho rural para a sitiante Tessa (Diane Kruger) para poder trazer para casa alguma comida, leite e alguns legumes, num tempo de total escassez. 

A derrota iminente com a aproximação das tropas Aliadas não é segredo para ninguém. Há quem fale abertamente do fim da guerra e até o celebre, como Tessa. Mas as estruturas nazistas ainda estão de pé e Hille continua fanatizada. Nanning pertence à Juventude Hitlerista mas convicção é algo que ele não domina: ele reage mais ao clima local por contaminação da mãe. Sua tia Ena (Lisa Hagmeister) é bem mais pragmática do que a irmã, assim como os vizinhos da família Hagener, o velho Arjan (Lars Jessen) e o neto Hermann (Kian Köppke), amiguinho de Nanning, que tenta manter-se entre lealdades tão disputadas. 

O filme dedica-se, aliás, a quebrar certos estereótipos, como de que todos os alemães apoiavam o nazismo em uníssono, incondicionalmente - o que certamente não era verdade. A própria dificuldade do pequeno Nanning em lidar com as revelações dos graves pecados éticos de seus pais e sua convivência com refugiados, deslocados de outras regiões pela guerra, é seu batismo de fogo na entrada para a vida adulta. E o jovem Jasper Billerbeck é um intérprete sensível desse menino que descobre o mundo em tempos tão difíceis.

 

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