Tal como fez em seu celebrado O Filho de Saul (2015), o diretor húngaro Lazlo Nemes volta ao cenário da II Guerra Mundial em O Órfão, um drama pesado ambientado na Hungria dos anos 1950. O protagonista é o menino Andor (o talentoso Borjtorján Barabas). Resgatado pela mãe, Klara (Andrea Waskovics), de um orfanato onde ela, judia, o escondera, ele cresceu idealizando a figura do pai, que foi deportado - com quem ele conversa, imaginariamente, à noite, escondido na bomba de aquecimento do prédio onde mora.
Na Hungria sufocada pelos soviéticos após o levante de 1956, Andor e a mãe vivem em dificuldades econômicas, num ambiente em que dissidentes, como o irmão da amiguinha de Andor, Sári (Eliz Szabó), têm que desaparecer na clandestinidade.
O aparecimento de um homem misterioso, Berend (o ator francês Grégory Gadebois), coloca em xeque as certezas do garoto. O homem, um açougueiro, havia escondido sua mãe durante a guerra e Andor descobre que ele é provavelmente seu pai biológico. Isso desencadeia toda uma crise de identidade e uma explosão de revolta que desorganiza ainda mais a vida do garoto..
Certamente, pode-se ler a história desta pequena família como uma metáfora da Hungria. Mas o filme revela-se bem mais insatisfatório do que O Filho de Saul, embora o pequeno Borjtorján Barabas seja uma revelação como jovem talento.
