09/07/2026
Drama

Primavera

Cecília mora num orfanato na Veneza do século XVIII, onde participa da orquestra com outras jovens, tocando violino. Quando Vivaldi chega à instituição para ser tutor das moças, a protagonista percebe seu grande amor pela música, mas pode ser tarde demais, pois está prometida a um nobre e não poderá tocar mais depois de se casar.

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Pode não ser uma influência consciente, mas ao ver o italiano Primavera, é impossível não pensar em Moça com brinco de pérola – para azar do novo longa, que é bastante inferior à produção inglesa. Dirigido por Damiano Michieletto, encenador de ópera que estreia no cinema, o longa é frio e esquemático, apoiando-se em clichês e numa estética fria e sem ousadias. 

A Primavera do título é um dos concertos que compõem As Quatro Estações, de Vivaldi, um personagem interpretado por Michele Riondino. Mas ele não é o protagonista. A posição cabe a Cecilia (Tecla Insolia, indicada ao David di Donatello), uma adolescente órfã que vive na Ospedale della Pietà, onde as moças com talento são treinadas para a música, até encontrar um casamento, quando deverão abandonar a arte. Esse é o caso de Cecília, uma violinista talentosa, que está prometida a um nobre militar, Sanfermo (Stefano Accorsi), com quem se casará assim que ele voltar da guerra. 

Enquanto isso, o doente e excêntrico Vivaldi vai morar e trabalhar no orfanato, ensinando música às jovens. Ao mesmo tempo, ele compõe sua obra-prima. Logo vê em Cecilia um talento incomum, e se tornam próximos. Ao menos, o filme evita o clichê de se apaixonarem, mas isso não impede que o longa, roteirizado pelo diretor e Ludovica Rampoldi, a partir do romance de Tiziano Scarpa, consiga se sobressair do comum. 

Cecilia pensa muito em sua mãe, que nunca conheceu, e escondida escreve uma longa carta a ela. A obstinação ao descobrir quem é essa mulher logo é esquecida pelo filme, quando a diretora megera (Fabrizia Sacchi) do orfanato dá a entender que a mãe de Cecilia era (ou ainda é) uma prostituta. Ao mesmo tempo, a jovem tenta fazer de tudo para não precisar se casar e abandonar a música quando a guerra acabar. 

Sem muita inspiração, Michieletto faz um filme mal resolvido enquanto cinema. Tudo muito simplificado e com personagens destituídos de nuances – são o que são, e é apenas isso. Falta ao diretor a coragem para romper com a solenidade, para transformar Vivaldi não no gênio reverenciado, mas em um ser humano com sentimentos e emoções que o ajudaram a criar uma obra única. 

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