Corroteirizado, dirigido e protagonizado por Martín Shanly, Arturo aos Trinta é uma comédia agridoce sobre as dores do crescimento, tendo ao centro um adulto que parece resistir ao processo de amadurecimento. Temos acesso ao personagem quase que em sua completude – ele fala demais, seus monólogos são exagerados, mas isso não é um problema, é uma clara estratégia na construção da narrativa. Sabemos demais sobre ele, mas realmente o conhecemos?
A resposta é, obviamente, não, mas, ainda assim, Arturo faz um truque de nos induzir a pensarmos que sim, ele está sendo sincero conosco. Mas certos acontecimentos o recolocam em uma nova perspectiva.
A moldura do filme é uma festa de casamento e, entre uma cena e outra nesse evento, temos acesso ao passado do personagem – sempre contado por ele mesmo. O que todo mundo sabe é que não se deve confiar num narrador, especialmente quando ele conta sua própria história. Ainda assim, Arturo não se poupa, não sai como herói – pelo contrário. Uma eterna criança que não cresce, ele comete muitos erros.
Show de um homem só, Shanly se sai bastante bem em todos departamentos. A criação do protagonista é o maior desafio nesse estudo de personagem. Arturo é, basicamente, desagradável, mas, ainda assim, não deixamos de torcer por ele, para que amadureça e conheça melhor a si mesmo, e assim, finalmente, se torne adulto. Se é que isso é possível.
