Líder estudantil, Honestino Guimarães teve vida breve e intensa. Foi militante contra a ditadura militar, presidiu organizações estudantis em Brasília em tempos em que os governantes promoviam uma caça sem tréguas a todo e qualquer tipo de oposição. Em 1973, aos 26 anos, Honestino foi preso uma última vez e desapareceu, integrando a lista das centenas de mortos sem sepultura que a repressão criou, tirando das famílias o direito de ao menos dar-lhes adeus.
Amigo de Honestino na militância na UnB, onde Honestino estudava Geologia, o cineasta Aurélio Michiles dá seu depoimento e dirige este filme, que é um documentário e mantém um fio ficcional ao escalar o ator Bruno Gagliasso para viver Honestino em trechos seletos - lendo trechos de suas inspiradas e literárias cartas aos familiares nos períodos de clandestinidade, que foram muitos em sua curta e intensa existência.
A clandestinidade a que o líder estudantil se viu obrigado, após diversas prisões, espancamentos e torturas, impediu a sobrevivência de muitos registros fotográficos dele e de sua família, como da primeira mulher, Isaura Botelho, e da filha, Juliana. Um dos depoimentos mais marcantes do filme é dessa filha, que mal conheceu o pai e tem dele lembranças esparsas, o que não impede que seja uma figura indelével em sua vida.
Depoimentos como o de Juliana, de Isaura, da segunda mulher de Honestino, Soshana Rappaport, de colegas de militância como Franklin Martins e Jorge Bodanzky, além da biógrafa, Betty Almeida, e outros contemporâneos do líder estudantil compõem um quadro emotivo não só da figura do jovem mas também de uma época, nem tão longe de nós, em que tantos arbítrios foram cometidos em nome da ordem e da segurança nacional.
Alguns materiais de arquivo, com cenas da época e depoimentos do passado, como o da mãe do estudante, Maria Rosa, falecida em 2012, complementam este legado de Honestino, a quem a UNB atribuiu o diploma póstumo de geólogo, em fevereiro de 2024. Uma pequena reparação num quadro da História nacional aonde cabem ainda tantos resgates e esclarecimentos - como que fim teve, afinal, o estudante nas mãos do Estado.
