05/08/2026
Terror

Insaciável

Hana é uma estudante de medicina que não está feliz com seu corpo e tenta perder peso de maneira saudável. Até que descobre um método mais rápido mas pouco recomendável, com inúmeras consequências. Nos cinemas.

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A febre pelo emagrecimento milagroso toma caminhos mórbidos no terror Insaciável. Mounjaro e afins, lógica do filme, são para os fracos – aqui se emagrece com um composto a partir de cinzas humanas, o que leva o longa escrito e dirigido pela australiana Natalie Erika James (Apartamento 7A) a tomar caminhos ainda mais bizarros do que sua premissa surreal. 

O tema e abordagem do body horror, no entanto, perdem força diante da explosão de criatividade de A Substância, que navega por águas parecidas com mais vigor e intensidade. Ainda assim, o longa de James conta com uma atuação potente de Midori Francis no papel de Hana, estudante de medicina que acaba deixando-se dominar por uma paranoia de perder peso. O que começo como um objetivo saudável logo se torna uma questão psicológica grave, despertando fantasmas reais e metafóricos.

O maior de todos eles é o peso social para uma estética super- magríssima. Alternando momentos de alimentação compulsiva com outros de autopunição, ela resolve que é hora de perder peso. Na academia, ela aspira a deixar sua personal trainer, Alanya (Madeleine Madden), orgulhosa. Na aula de anatomia, ela e seus três colegas de grupo recebem o cadáver de uma mulher imensa, a  quem chamam de Grande Bertha. Por acaso, ela encontra uma antiga amiga de colégio, outrora uma jovem plus size, agora, uma mulher irreconhecível. Ela incentiva Hana a usar um remédio ilegal que promete emagrecimento. Conduzindo sua própria pesquisa, ela descobre que dentro da capsula há cinzas humanas, e resolve fazer suas próprias cápsulas. O que pode dar errado?

A princípio, ela começa a perder peso vertiginosamente, a ponto de Alanya desconfiar – corretamente – de que sua aluna está usando algo que lhe faz mais mal do que bem. Depois, o fantasma de Bertha que começa a assombrá-la. Há outros estranhamentos dentro do filme, como a mãe (Showko Showfukutei) hiperativa e hipercuidadosa, e o pai, que é apenas uma voz. No lado positivo, Hana tem um crush em sua personal – e parece correspondida, mas até nisso seu vício em comer e se punir irá atrapalhar.

O que se sustenta do filme é devido à presença marcante de Francis, em sua primeira protagonista. Mais conhecida pela série Grey’s Anatomy, ela injeta humanidade numa personagem enervante, que faz sempre as piores escolhas. Nesse sentido, a culpa é mais do filme de que de Hana em si, pois Insaciável opta por esse tipo de estratégia de diminuir a personagem para que os horrores emerjam. Em se tratando de horror, aliás, aqueles da vida real que a protagonista enfrenta – o peso social pelo corpo perfeito, o curso de medicina que consome – são muito mais assustadores, por serem reais, do que o fantasma em si, que se torna mera alegoria e distração tola num filme que teria mais a ganhar se não saísse do plano materialista. 

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