O ator e roteirista Leo Alkemade, um comediante famoso na Holanda, encontra a força motora e a sinceridade num episódio de sua vida para a comédia dramática Champagne – Uma Viagem de Pai e Filho. Ele tinha tudo programado para viajar com seu pai à regiao francesa de Champagne, mas o adoecimento deste levou a uma mudança de planos, e o ator a fazer o trajeto sozinho. Isso não o impediu de imaginar como seria a viagem se estivesse ao lado de seu pai.
O resultado é um filme, embora já visto diversas vezes, que ganha pela sinceridade, tanto das situações, do afeto e das atuações de Alkemade, como o filho Maarten, é claro, e o excelente Huub Stapel no papel de Hans. A viagem é repleta de incidentes e, assim como o champanhe, é uma metáfora para os laços que unem e se tensionam com o tempo. Os dois juntos viajando é de carro é o pretexto para a reconexão.
Dirigido por Tim Kamps, o longa lança um olhar sobre essas duas figuras masculinas de gerações distintas, mas sem problematizar muito as diferenças. O que interessa aqui é uma espécie de reencontro emocional entre eles num momento delicado, em que o pai está doente. É, no fundo, a viagem de despedida e da lembrança que ficará com o autêntico champanhe que beberem.
Nem tudo flui muito bem, no entanto. A montagem esbarra numa concisão que não é um minimalismo, mas uma certa maneira de apressar as coisas para chegar logo à conclusão óbvia que deverá vir, como uma recompensa emocional. Fica, então, a dúvida se é champanhe mesmo ou apenas cinema espumante.
Leia a entrevista com o ator e roteirista Leo Alkemade
