13/08/2026
Comédia Drama

Colegas e o Herdeiro

Stalone e Aninha vivem num hotel decadente no Uruguai. Ele tem certeza de que o lugar é uma herança de sua mãe, por isso, convida outros colegas do Instituto Santa Lúcia para uma visita.

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Em 2012, o longa Colegas marcou o cinema brasileiro. Premiado em Gramado, o filme era protagonizado por personagens com Síndrome de Down, interpretados por atores e atrizes com Down. Sucesso de público, a obra escrita e dirigida por Marcelo Galvão desperta a simpatia especialmente pelo carisma de seu elenco. Em Colegas e o Herdeiro, o cineasta não muda o time, mas também não consegue o mesmo resultado. 

Mais de uma década se passou, e a sequência parece compartilhar pouco com seu antecessor. Além disso, tenta introduzir, sem muito sucesso, uma estética um tanto Wes Anderson com suas simetrias, tons pastel e algo de naïf, mas essa é uma combinação que não funcionou muito bem. 

O elenco – que inclui, novamente, Ariel Goldenberg, Rita Pokk e Breno Viola – continua sendo o ponto alto, com carisma e sagacidade, mas é uma pena que o filme em si não tenha muito a lhes oferecer em termos de arco de personagens ou de narrativa. 

O longa começa da maneira mais estranha possível, com uma voz em off se passando por Marçal Souza, produtor dos dois longas, entre outros, que morreu em 2023, antes do segundo filme ficar pronto. Claro, era uma homenagem, mas a maneira inconvencional como é feita talvez não alcance o efeito pretendido. A partir daí, surge um narrador (uma figura raramente necessária no cinema), que pontuará a história dando explicações desnecessárias sobre o que está acontecendo.

A possível herança de um hotel dá o ponto de partida da trama, que inclui uma viagem ao Uruguai feita por moradores do Instituto Santa Lúcia para conhecer Stallone (Goldenberg), que acredita ter herdado um hotel. Para além dos clichés do filme de estrada, Colegas e o Herdeiro se apoia num humor questionável, que parece sempre interessado em colocar seu foco nos corpos dos personagens. A intenção pode a busca de naturalização, mas as piadas e situações soam muitas jocosas, envolvendo coisas como machismo e importunações sexuais. 

Sobram as boas intenções, que raramente se materializam, num filme visivelmente menos empenhado ou bem-sucedido do que o anterior. A maneira como aqui se encara o crescimento e amadurecimento dos personagens é mais simplista, quase paternalista, não permitindo que eles e o elenco cheguem à devida complexidade que merecem. 

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