27/08/2026
Romance Drama

A Quinta Portuguesa

Professor de geografia, Fernando é um madrilenho casado com uma mulher sérvia, Milena, há dois anos. Um dia, ela desaparece subitamente, deixando-o sem explicações. Depois de muito procurá-la, ele decide sair de férias em Portugal. Lá conhece o jardineiro Manuel que, por uma série de incidentes, dará a Fernando a chance de mudar de vida e identidade. Nos cinemas.

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Escrito e dirigido pela diretora valenciana Avelina Prat, Uma Quinta Portuguesa desencadeia, de cara, uma saudável recusa ao enquadramento num único gênero. Se começa num tom de tragédia, a partir do abandono do professor de geografia espanhol Fernando (Manolo Solo) por sua mulher sérvia, Milena (Kasia Kapcia), este é apenas o pretexto para que a história discuta o lugar do pertencimento e a criação de uma nova identidade. 

Perplexo e sem rumo depois da partida súbita da mulher, que não deixou bilhetes nem explicações, Fernando se licencia do trabalho para umas férias em Portugal. Num pequeno hotel acolhedor, à beira-mar, estabelece contato com Manuel (Xavier Mira), um jardineiro itinerante que está de partida para uma quinta, onde deverá prestar serviços a uma nova patroa. 

Um incidente repentino com Manuel permite a Fernando tomar uma atitude impulsiva, assumindo sua identidade e seu trabalho na quinta, de propriedade de Amália (Maria de Medeiros). Todo o ambiente paradisíaco desta Quinta das Amendoeiras Brancas fornece ao homem o ambiente ideal para uma reinvenção, em que a poda e o cultivo de plantas e flores serve como uma metáfora visual do renascimento que ele procura.

Encarnando uma mulher independente, Amália abrirá também uma janela para que a história discuta a situação dos chamados “retornados”, aqueles nascidos ou radicados nas antigas colônias portuguesas na África que, depois do 25 de Abril, viram-se forçados a voltar ou a descobrir uma pátria-mãe que haviam esquecido ou desconheciam, recebendo hostilidades de vários lados.

É muito saudável que o filme, uma coprodução entre Espanha e Portugal, se disponha a ventilar o tema do colonialismo europeu, ainda que não se deixe dominar por esse tom político. Optando por uma narrativa mais porosa e fluida, A Quinta Portuguesa explora a formação de novas identidades para pessoas como Fernando e Amália, desenraizados por um ou outro motivo mas, ainda assim, abertos a novas ligações e descobertas.

Se há um fio de romantismo impregnando a história, também é certo que nunca abandona um tom adulto, nem escamoteia questões como as novas migrações de europeus do leste, o que figura num último segmento em que se falará novamente da desaparecida Milena. Se há uma nítida preocupação em fechar essa história pendente, também é inegável que o caminho escolhido nunca é óbvio ou excessivamente melodramático. As camadas entre as pessoas se acomodam suave e humanisticamente e este é o maior elogio que se pode fazer a este filme belo e enxuto, que registra um dos últimos trabalhos do ator Manolo Solo, que morreu em 30 de julho de 2026.

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