19/09/2026
Suspense Drama

Antártida

Na base brasileira na Antártida, uma série de tensões se desencadeia depois da chegada de uma nova e jovem especialista em glaciologia. No local, onde já se manifestavam outros conflitos entre os integrantes, um crime brutal contra a novata provoca um clima de medo.

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Filme de abertura do Festival de Gramado 2026, Antártida parte de um roteiro assinado por Cláudia Jouvin, com direção de Bruno Safadi, que percorre uma série de mazelas desencadeadas pela masculinidade tóxica: estupro, violência doméstica, resistência à autoridade feminina, tudo isso no ambiente da estação brasileira de pesquisas na Antártida - local que foi recriado num estúdio de 1000m², no Rio de Janeiro, com uso de máquina de neve, efeitos de vários tipos e muitos testes ao longo de um ano. Por todos esses temas e a tensão permanente, um filme para se assistir com a respiração suspensa. 

No entanto, a declarada intenção de criar um suspense claustrofóbico impregnado de questões de gênero - a homossexualidade será lembrada também num segmento - desequilibra-se numa narrativa que parece querer enfeixar não só assuntos como situações demais, sempre no limite da exasperação, retirando tempo e energia de um aprofundamento nos inúmeros personagens - que são interpretados por um elenco notável, encabeçado por Andréa Beltrão, indiscutivelmente carismática e potente como Elisabeth, a subcomandante da estação. Leandra Leal também segura com firmeza o papel de Marina, a médica da estação que tenta desvencilhar-se do relacionamento abusivo com o marido, o capitão Vicente (Lázaro Ramos). 

Como a vítima da maior violência dentro do enredo, Marina Ruy Barbosa destoa, numa interpretação irregular de Inês, a jovem especialista em glaciologia que chega à estação e vira foco dos desejos de todo o contingente masculino por seu comportamento mais livre - em que a atriz injeta um descabido exagero. 

Um pouco mais de sutileza faria bem à história, que avança um tanto sobrecarregada nessa profusão de subtemas e dos conflitos também dos personagens masculinos, interpretados por Adélio Lima, Gero Camilo, João Vitor Silva, Renan Monteiro, Henrique Barreira e Marcos de Andrade. Mas as escolhas da direção e produção parecem ter sido mais no sentido de enfatizar um tom algo folhetinesco, que pode funcionar ou não junto a um grande público, que deverá se manifestar nesta sua estreia nos cinemas.

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