Luiz Gonzaga Jr, mais conhecido como Gonzaguinha, é uma figura ímpar na cultura brasileira. Mais de 50 composições suas foram censuradas pela ditadura, teve uma relação complicada com o pai, Luiz Gonzaga, e morreu jovem, aos 45 anos, em 1991. Premiado em Gramado, o documentário Gonzaguinha, da Maior Liberdade, de Susanna Lira, resgata essa trajetória marcante em primeira pessoa, a partir de um rico material de arquivo.
A pesquisa de Rodrigo Alzuguir, que também assina o roteiro, e a montagem de Ítalo Rocha constroem uma narrativa fluida que transita entre vida e obra do artista, em blocos intercalados com a encenação da histórica entrevista de Gonzaguinha a O Pasquim, em 1981. Nesses segmentos, o cantor é interpretado pelo ator André Dale, cuja impressionante semelhança com o artista já havia lhe rendido uma participação em Homem Com H.
Partindo dos depoimentos do próprio Gonzaguinha, o longa aborda as questões em primeira pessoa. Seus problemas com a censura eram consequência direta do posicionamento político de suas composições. Uma delas, conta que ele mesmo censurou diante de uma famosa censora que lhe mandou trocar um verso. “Quero ter o prazer de censurar uma música minha”, recorda ele se divertindo.
O abandono paterno é também uma questão no documentário. Já abordada na ficção, Gonzaga - de Pai pra Filho, de Breno Silveira, lançado em 2012, não é exatamente central aqui, embora tenha lá o seu momento. Gonzaguinha foi criado pela mãe, Odaleia, até que ela morreu de tuberculose, e ele passou aos cuidados dos padrinhos. Porém acabou se aproximando do pai no final dos anos de 1970, e juntos fizeram a turnê “A Vida do Viajante”, da qual o documentário traz boas imagens.
Lira, que tem outros documentários sobre figuras da cultura nacional, como Fernanda Young: Foge-me Ao Controle e Mussum, um Filme do Cacildis, faz um filme afetivo aqui, que, acima de tudo, destaca a atualidade e importância de Gonzaguinha.
