Conhecido por suas animações, como as franquias A Era do Gelo e Rio, o cineasta brasileiro Carlos Saldanha realiza seu primeiro longa live action no Brasil em 100 Dias, adaptado do livro Cem Dias Entre o Céu e a Terra, de Amyr Klink, no qual ele relata seu feito histórico de atravessar sozinho o Atlântico Sul num barco a remo, em 1984, aos 29 anos.
Interpretado por Filipe Bragança, o protagonista é um jovem destemido que vive em conflito com o pai, Jamil (Felipe Camargo), e recebe apoio da mãe, a sueca Asa (Philippine Leroy-Beaulieu) e do irmão Tymur (João Vitor Silva). O roteiro, assinado por Elena Soarez e Thais Tavares, transita entre os 100 dias de travessia e o passado do drama familiar.
Obviamente, as cenas no barco – em especial no diminuto espaço interno – acabam sendo mais interessantes do que os conflitos no lar dos Klink em Paraty. Marcada pela solidão e o medo, a travessia que partiu de Lüderitz, na Namíbia, é retratada como um desafio humano à natureza, pautada pela audácia de Klink, que recebia apoio da mãe e do irmão, no Brasil, e de um comandante marinho, que não conhecia mas que interceptou a conversa dele no rádio e começa a ajudá-lo.
Bragança se transforma fisicamente ao longo da travessia, assim como Klink, que parte como um jovem um tanto arrogante – suas cenas com o engenheiro que projetou o barco (Duda Mamberti) e a nutricionista interpretada por Martha Nowill são reveladoras nesse sentido. Mas o destaque do filme é mesmo a natureza e o claustrofóbico interior do barco IAT/Paraty, que formam uma espécie de contraponto entre liberdade e confinamento.
