16/09/2026

No limite da justiça

Após a morte de um ativista negro, o FBI escala um de seus poucos agentes negros para acompanha extraoficialmente um matador de aluguel que que trouxeram de NY, para resolver o crime.

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Se, em 2018, Green Book: O Guia parecia datado, oito anos depois No limite da justiça é algo ainda mais retrógrado e perdido no tempo. Se lá havia a indesculpável desculpa de ter sido dirigido por um homem branco, Peter Farrelly, aqui, nem isso. Seu diretor Elegance Bratton se vale dos mesmos mecanismos didáticos e equivocados para abordar o racismo no passado que ecoa, ou deveria ecoar, no presente.

Como em Green Book, um homem negro e outro branco precisam trabalhar juntos, e assim, aprendem coisas um com o outro. O agente negro do FBI, Wayne Strider (Yahya Abdul-Mateen II), aprende a se soltar, a perceber que nem sempre é possível seguir a lei para se chegar aonde deve. Já o “faz tudo” contratado para uma missão pela agência, Greg Scarpa (Mark Wahlberg), percebe que o racismo é horrível. Quem diria!

O roteiro de Sascha Penn parte de uma história real. Vernon Dahmer (Giancarlo Esposito) morre após um ataque de membros da Ku Klux Klan, em 1966. Um dos líderes do movimento pelos direitos civis, ele viva na cidade Hattiesburg, no Mississippi – um estado que no cinema está sempre em chamas. Strider era um amigo pessoal, e, por se tratar de um crime de ódio racial, é designado a acompanhar Scarpa, que nem conhecia, numa missão de descobrir os assassinos. Seus superiores são categóricos, ele deve apenas acompanhar o matador, sem agir.

Logo numa das primeiras deles juntos, o filme quer mostra seus pontos. Estão os dois no carro, numa estrada no Mississippi, à noite. Strider dirigindo, e o outro no banco de trás, quando são parados por um policial. O agente fica nervoso, e explica ao outro que dizer a um policial daquele lugar que é agente do FBI é ainda mais arriscado do que ser apenas negro. Scarpa não se conforma com isso, mas aprende ali, ao vivo, que o racismo não legal. 

Logicamente, o filme segue os caminho mais esperados de investigação marcada pela violência de Scarpa que acaba contaminando a Strider. Ou seja, o modus operandi do branco se torna a regra, mostrando que ele estava certo desde o começo, e o personagem negro desce ao seu nível para que as coisas funcionem. 

Não há a menor dúvida de que as intenções de Bratton sejam as mais nobres, a história é potente, mas desperdiçada num filme bastante desacertado, que sabe o que quer dizer, mas não sabe bem como dizer, caindo assim nas mesmas coisas que quer criticar. Não chega, exatamente, a ser racista, é óbvio, mas mostra, ao fim, que o branco tem muito a ensinar ao negro, a quem, por sua vez, só resta dizer e fazer obviedades.

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