16/09/2026
Drama

Três Vezes Adeus

O casamento de Marta e Antonio acaba de uma forma tola, e cada um segue um caminho: ele mergulha no trabalho, e ela se sente deprimida e sem apetite. Uma descoberta mudará a vida dela.

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Possivelmente a cineasta espanhola mais internacional de todos os tempos, Isabel Coixet viaja pelo mundo para fazer seus filmes. Curiosamente, é incapaz de imprimir um olhar com maior especificidade onde quer que esteja. Seus filmes são todos parecidos com produções independentes de Hollywood, sabor baunilha, sem um estilo ou uma voz marcante. O destino mais recente de seu cinema globe-trotter é a Itália, onde escala Alba Rohrwacher para protagonizar Três vezes adeus

A atriz interpreta Marta, uma mulher que vive um casamento aparentemente feliz com Antonio (Elio Germano). Numa noite, começam uma discussão que parece banal, um assunto que já discutiram outras vezes, nada de muito grave, mas, dessa vez, o desenlace é outro: o fim da união. Talvez as coisas não estivessem tão bem quanto pareciam, e essa foi a gota d’água. Ele, dono de um restaurante, mergulha fundo no trabalho, enquanto ela, professora de educação física numa escola secundária, deixa-se tomar pelo luto do fim da relação, passa se alimentar mal e viver mal, preocupando a todos. 

Marta perde o apetite, o que a deixa preocupada, mas não tanto. Ela busca maneiras de superar a perda do amado, e encontra consolo em conversas com uma figura de papelão de tamanho real de um astro K-pop, ou deixando resenhas de uma estrela para o restaurante do marido na internet. As coisas, no entanto, complicam-se diante de um diagnóstico inesperado. 

Partindo do romance da italiana Michela Murgia e assinando o roteiro com Enrico Audenino, Coixet faz, mais uma vez, um filme incapaz de se elevar para além de sua premissa e, não fosse o elenco – em especial Rohrwacher, sempre uma presença iluminada nos filmes –, Três vezes adeus seria ainda mais difícil de assistir. Sua indecisão entre o melodrama e o drama puro impede que o filme se encontre enquanto forma, e a insistência em exagerar nunca ajuda. 

A transformação da protagonista tinha tudo para ser marcante, mas Coixet gosta de a ver transformando o sofrimento em superação – o que seria aceitável não fosse a insistência em romantizar o sofrimento. Enfim, só mais uma viagem da cineasta a algum país e, aparentemente, ficará na Itália por um tempo, pois um de seus próximos projetos é uma nova adaptação de Dias de Abandono, da autora italiana Elena Ferrante – um livro que foi filmado por Roberto Faenza, em 2005, quando a autora de Minha amiga genial não era muito conhecida fora da Itália. 

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