Que Marido de aluguel seria um filme de humor rasteiro e tolo, já era esperado, mas a escatologia e homofobia recreativa, realmente, foi novidade. São coisas que estão, no mínimo, há uns trinta anos em desuso no cinema de bom senso, mas ainda assim o diretor e roteirista Paulo Fontenelle (não confundir com o cineasta Paulo Henrique Fontenelle) abusa desse tipo de, digamos, recurso, que nem engraçado é.
Sem tem muito para onde, o filme funciona como um piloto de uma sitcom que seria ruim, e acompanharia as aventuras de Vadeco, interpretado pelo comediante Maurício Manfrini, que chega ao Rio de Janeiro para trabalhar como marido de aluguel, uma espécie de faz-tudo, junto com primo que já está estabelecido na cidade. Logo numa das primeiras cenas, ele solta uma “piada”, que será recorrente ao longo do filme. Fala de um primo que tem uma tal doença, e depois acabou morrendo de outra coisa não relacionada a ele – por isso, ele, o protagonista, toma remédio para essa doença. Talvez tenha graça na primeira vez, mas não nas outras dez.
Ao perder o ônibus, ele pega carona com Roger (Heitor Martinez), sem perceber que o sujeito acabou de fugir da prisão e roubou o carro onde exatamente estão. Por pura coincidência, o marido de aluguel vai parar na casa de Alice (Mariana Xavier), mulher do bandido, que vive numa mansão, mas não tem dinheiro, e não pode vender a casa que o dinheiro será tomado pelo banco.
Os quiproquós vividos pelo protagonista são mais do que óbvios, mas o que incomoda mesmo é a baixaria do filme. Alexandre Lino interpreta Agenor, uma espécie de gay chaveirinho de Alice, que é um estereótipo ambulante, sem qualquer pingo de humanismo, como piadas rasteiras. Numa cena, por conta de uma série de eventos, quem olha do lado de fora pela janela do quarto de Alice vê sombras dela com Roger e Vadeco como se estivessem em posições sexuais inusitadas. Em outra cena, Vadeco solta gases o que prova que não está morto. Há uma conversa constrangedora com frases de duplo sentidos com um par de idosas que acham que marido de aluguel é um prostituto.
Sem timing para humor, nem sentimentalismo, Fontenelle calca se filme em bobagens esquecíveis e repetitivas que não permitem nem que se veja na tela uma comédia saudável. É o tipo de coisa que se imaginava – ou esperava – superada.
