Se Ruben Östlund ainda não mandou uma mensagem para Romain Gavras pedindo seu estilo de cinema de volta, em breve vai mandar, pois Sacrifício, terceiro longa dirigido pelo filho de Costa-Gravas é bem uma sátira ao estilo do cineasta sueco, mas com um padrão ainda mais pop para agradar à juventude com Chris Evans e Anya Taylor-Joy nos papéis principais.
Enquanto sátira, o longa é exagerado – algo típico do gênero – e se julga mais esperto do que realmente é, sendo bastante óbvio em sua crítica aos super ricos e suas caridades performáticas, promovida por artistas que enquanto militam produzem arte ruim e muito dinheiro para si mesmo, sem fazer nada realmente relevante para o mundo.
O principal deles, no filme, é Mike (Evans), um ator decadente preocupado com os buracos que estão aparecendo no meio de seu cabelo – mas seu assistente assegura que uma viagem à Turquia, para um novo implante, pode ser facilmente agendada.
Ele vai a um evento de ambientalismo, que acontece na Grécia, que é invadido por uma guerrilha de radicais, liderados por Joan (Taylor-Joy). A entrada do grupo é tão performática que os convidados ficam em dúvida se aquilo não faz parte do espetáculo do evento até que descobrem que não é o caso. Nos arredores, um vulcão está prestes a entrar em erupção, e isso deverá trazer um apocalipse ao mundo, a única saída, diz o grupo de Joan, é sacrificar algumas celebridades jogando-as dentro do vulcão, que se acalmará.
A primeira parte é mais ácida, e com o tempo o roteiro de Gavras e Will Arbery (da série Sucessão) perde energia, especialmente com a premissa sem sentido de um único vulcão destruindo a vida em todo o planeta. Sobram uns bons momentos de humor e a presença de Evans mostrando que ele poderia tem investido numa carreira mais diversificada antes de ser cooptado quase que exclusivamente pelo universo Marvel.
