22/10/2026
Documentário

Mestre Zu

Documentário resgata a figura ímpar do jornalista Zuenir Ventura (1931-2026), ouvindo seus parentes, amigos e colegas que se formaram sob sua influência, em alguns dos maiores jornais do País e também lembrando os assuntos que ele cobriu, transformados em livros essenciais

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Protagonista deste documentário, o jornalista Zuenir Ventura (1931-2026) foi um dos maiores representantes do que de melhor o jornalismo brasileiro produziu nas últimas décadas. Ele dignificou as redações que frequentou,, como dos tempos áureos do Jornal do Brasil, cobrindo fatos cruciais da história do País, como o assassinato de Chico Mendes - que lhe valeu um prêmio Esso -, a chacina de Vigário Geral, a primeira das caravanas de Lula pelo Brasil e tantas outros outros acontecimentos que sua verve transformou também em livros fundamentais para entender o Brasil: caso de 1968 - O Ano que Não Terminou e Cidade Partida.

Seria mesmo muito difícil dar conta de todos os aspectos de uma biografia tão vasta, numa longa vida dedicada à cultura. Mesmo modesto, o documentário de Zelito Viana dá o seu melhor, reunindo personagens que conviveram com Zuenir e tiveram a sorte de ter sido formados por ele, como Regina Zappa, Gerson Camarotti, Miriam Leitão, Arthur Dapieve e muitos outros que dão seus depoimentos ao longo do filme.

A nota biográfica informa que ele era mineiro de Ponte Nova, transferindo-se para Nova Friburgo aos 10 anos de idade, para uma nova mudança posterior para o Rio de Janeiro, cidade onde faria a brilhante carreira que o notabilizou. Arquivista na Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda, ganhou seu lugar como jornalista escrevendo um artigo sobre o escritor Albert Camus, partindo depois para uma bolsa de estudos em Paris. A sorte que precisa acompanhar todo jornalista se manifestou já quando compartilhou a estadia na capital francesa com João Goulart, então vice-presidente do Brasil, que ali passou após o turbilhão da renúncia de Jânio Quadros, em 1961. 

Cultivando essa trajetória exemplar, que se confundiu com episódios marcantes na vida do país, como a famosa e polêmica carta do cineasta Glauber Rocha elogiando o então ditador, general Ernesto Geisel, Zuenir nunca deixou de apurar os fatos com agudo faro de repórter que não abria mão da independência e do bom humor, como atestam seus inúmeros amigos e admiradores. Mesmo assim, teve seus momentos de fúria, como quando atirou um balde de tinta em Hélio Fernandes, reagindo a uma declaração deste que considerou ofensiva.

Lembrando a enormidade dessa figura que há tão pouco partiu de entre nós, não há como deixar de pensar nos rumos que o jornalismo deveria retomar urgentemente para recuperar sua relevância. Zuenir, certamente, é uma bem-aventurada inspiração.

 

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