23/06/2026

Especialistas temem o fracasso de “O Código da Vinci”

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Até que ponto uma resposta negativa na abertura do Festival de Cannes pode significar o fracasso de um filme na bilheteria? É isso que os exibidores e a Sony Pictures (produtora e distribuidora de O Código da Vinci) estão prestes a descobrir. Depois de muito segredo em todo mundo, ausência de exibições teste com público e mesmo para a imprensa, o filme teve suas primeiras sessões no festival na terça, e as respostas foram bem negativas.

A jornalista do Cineweb Neusa Barbosa, que está em Cannes cobrindo o festival, afirma que o filme se preocupa apenas em agradar os devotos do livro de Dan Brown, em que o longa é baseado. E afirma que o filme conta 'a esperada competência técnica e nenhuma ousadia' (leia mais). Já o repórter Luiz Carlos Merten, do jornal O Estado de S Paulo escreveu que o longa 'começa bem, muito bem, mas depois perde o impacto e, nas duas revelações finais, fundamentais para o desfecho do drama, provocou o riso da platéia de críticos e jornalistas que assistiram à première da terça à noite'.

A imprensa estrangeira também não é nada otimista com o resultado final do filme dirigido por Ron Howard. O crítico A. O. Scott, do The New York Times ironiza dizendo que demora-se menos tempo para ler o livro do que ver o filme. Todd McCarthy, da Variety, a bíblia do entretenimento, afirma que o filme ‘não é tolo, mas chega bem perto disso’. A imprensa francesa também apontou mais problemas do que qualidades no filme. 'Para chamar os espectadores, [o diretor] se contenta com o mínimo. Além de uma música incessante', afirma Hugo de Saint Phalle, do MCinéma.com.

Números - Em uma matéria publicada hoje, a Variety questiona qual será o tamanho do faturamento de O Código Da Vinci. Eles prevêem um faturamento na casa de 50 milhões de dólares, nos EUA, no primeiro final de semana. Missão Impossível 3, por exemplo, fez 48 milhões, no mesmo período e foi considerada uma abertura fraca para o filme. Porém, a publicação afirma que os produtores e exibidores esperam bilheteria forte na França (onde o filme estreou ontem), Itália, Alemanha, Espanha e América Latina.

Na França, O Código Da Vinci estreou em 885 salas, e fez sólido 1,5 milhão de dólar, vendendo mais de 232 mil ingressos, apesar da final do Campeonato Europeu de futebol.

O distribuidor brasileiro disse à publicação que a única dúvida é se a repercussão em Cannes poderá desmotivar parte do público. Mas ele garante que a abertura será grande. O filme é exibido no país em cerca de 500 salas.

Especialistas acreditam que as controvérsias geradas pelo filme, principalmente envolvendo a Igreja Católica, a Opus Dei e a China, devem favorecer a bilheteria, ao aumentar a curiosidade do público – principalmente daqueles que não estão entre os mais de 40 milhões que leram o livro.

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