Para Pisano, depois da definição do modelo de tv digital, o Brasil precisa agora empenhar-se em criar seu próprio padrão para criptografar seus sinais, evitando, assim, a pirataria. “A MPA não se posiciona a favor de qualquer padrão, mas preocupa-se que se instalem mecanismos de proteção bastante sólidos. O ponto crítico é que, na ausência dessa proteção, qualquer pessoa com um computador pessoal pode tornar-se um radiodifusor internacional”, alertou. Segundo ele, há pelo menos 13 tecnologias disponíveis no mercado visando a essa proteção do conteúdo. A proteção, segundo ele, não impede o consumidor de gravar seus programas favoritos, apenas impede que alguém os retransmita via internet.
Pisano destacou que a tecnologia evolui de forma tão rápida que tanto a legislação quanto os modelos comerciais existentes têm dificuldade para acompanhá-la. “Este é um problema global, que afeta todos os países”, afirmou.
O presidente da MPA defende que é importante haver também um maior esforço em campanhas educativas junto ao público, que consome artigos pirateados. “Precisamos atuar na educação das crianças e adolescentes, que não acham que seja imoral fazer o download de filmes a partir da internet, mas sabem que é errado roubar um CD ou DVD de uma loja”, comparou.
Pisano elogiou esforços feitos no Brasil a partir de 2004, ano da criação do Conselho Nacional Antipirataria. O presidente deste conselho, Luiz Paulo Barreto, receberá um prêmio na próxima edição do Showest, em outubro, nos EUA, por serviços prestados à promoção de uma cultura de respeito à propriedade intelectual.
Indagado sobre se uma queda de preços não facilitaria, também, a redução da pirataria, Pisano comentou: “Essa decisão cabe às empresas. Na China, elas o fizeram”.
