É a quarta viagem de Isabelle ao Brasil, onde ela é especialmente conhecida por suas atuações cinematográficas, na pele de mulheres geralmente sérias e com algum crime ou segredo a esconder, como Um Assunto de Mulheres e Madame Bovary.
Comentando sua escolha habitual pelos diretores para encarnar essas personagens, ela até ironizou: "Não tenho o monopólio dessas mulheres misteriosas. Na verdade, vou fazer uma revelação: para mim, é mais fácil encarnar alguém que esconde um segredo, porque é mais orgânico. Sou muito preguiçosa!". Mais surpreendente foi sua declaração de que foi "uma facilidade" interpretar a protagonista de A Professora de Piano, drama pesadíssimo do austríaco Michael Haneke sobre uma pianista com sérios distúrbios sexuais. Por essa atuação, ela venceu o troféu de melhor atriz no Festival de Cannes/2001.
Indagada se não se considerava a Bette Davis de seu tempo, ela comentou: "Cada atriz se parece com a sua época. Não podemos comparar o que se faz hoje e o que se fazia décadas atrás, porque as fronteiras entre o bem e o mal evoluíram significativamente nos filmes". Para Isabelle, no cinema moderno "há muito mais ambigüidade. A verdade é muito mais complexa agora, há menos maniqueísmo. Hoje, uma mulher má pode também ser gentil". Para arrematar, disse considerar Bette Davis "a atriz mais extraordinária de todos os tempos".
Foto: Luiz Vita/Cineweb
Cineweb- 24/2/2003-16.40
