O grande destaque do ShowWest 2003, a mais importante convenção do cinema americano, que terminou nesta quinta-feira (6/3) em Las Vegas, foi o pronunciamento anual de Jack Valenti sobre o estado geral da indústria. No balanço apresentado pelo presidente da Motion Pictures Association of America (MPAA), entidade ao qual estão filiadas todas as majors, Valenti celebrou o recorde de 1,64 bilhão de ingressos vendidos, marca que não era atingida desde 1957, e a renda total de US$ 9,5 bilhões, 13,2% maior que a de 2001.
Em seguida, Valenti apresentou os resultados "não tão bons" (nas suas palavras) de 2002. Ele se referia, principalmente, ao aumento do custo médio da produção do filme americano, que em 2001 era de US$ 47,7 milhões, e no ano passado pulou para US$ 58,8 milhões (um crescimento de 23,3%). Esse fato, combinado ao aumento de lançamentos do ano (de196 para 225), fizeram com que o chamado "negative cost", ou seja, o total gasto só na produção de filmes, aumentasse de US$ 9,3 bilhões para US$ 13,2 bilhões.
Já os gastos em marketing, que vinham crescendo a cada ano, caíram 1,2% (de US$ 31 milhões para US$ 30,6 milhões), num sinal de que, talvez, tenham chegado à saturação. Mas, em compensação, o custo médio total do filme americano (somados gastos emprodução e marketing) ficou 13,6% maior, pulando de US$ 78,7 milhões paraUS$ 89,4 milhões (maior crescimento desde 1997).
Em relação à freqüência, a média geral do país aumentou de 5,3 para 5,7 (ou seja, cada cidadão americano foi ao cinema quase seis vezes durante o ano de 2002), sendo que 38% dos freqüentadores foram pelo menos 12 vezes ao cinema, 47% foram entre 2 e 11 vezes ao cinema, e 15% foram apenas uma vez.
Praticamente metade dos ingressos foi vendida para espectadores entre 12 e 24 anos, 17% para espectadores entre 25 e 39 anos, e 32% dos espectadores têm mais de 40 anos. Internacionalmente, o cinema americano viu seu público crescer 7,5%, com 7,3 bilhões de ingressos vendidos no mundo.
Quanto à projeção digital, que avança lentamente, distribuidores e exibidores parecem estarchegando a um acordo. A Digital Cinema Iniciative (DCI), uma joint venture entre os dois setores, tem conseguido quebrar resistências (principalmente dos exibidores) ao buscar a adoção de um sistema padronizado de projeção numérica, o que ajudaria aacelerar o processo.
Cineweb-7/3/2003-15.27
