23/06/2026

Scorsese lança em Cannes fundação para preservação de filmes

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Foi lançada nesta terça-feira (22), em Cannes, a World Cinema Foundation, uma organização não-lucrativa, presidida pelo cineasta americano Martin Scorsese, que se dedicará à preservação do que este chamou de “filmes negligenciados”.

Segundo Scorsese, o termo “negligenciados” cobre uma vasta gama de filmes, não só os raros e desaparecidos, como também os não-lançados em DVD e não suficientemente conhecidos.

Os três primeiros filmes recuperados pela WCF, que serão apresentados dentro da programação Cannes Classics, são o brasileiro Limite, de Mário Peixoto (exibido numa sessão especial nesta quarta, na Sala Buñuel); o marroquino Transes (1981), de Ahmed el Maanouni; e o romeno Padurea Spanzuratilor, de Liviu Ciulei.

O cineasta brasileiro Walter Salles, que é membro do conselho consultivo da organização, lembrou frase do produtor Luiz Carlos Barreto, segundo a qual “um país sem cinema é como uma casa sem espelhos”. O diretor destacou que a circulação de filmes “é uma possibilidade de nos conhecermos melhor. Não estamos tão distantes uns dos outros quanto a CNN e outros dizem que estamos”.

A idéia de funcionamento da WCF é que cineastas de todo o mundo apadrinhem os filmes que julgam merecedores de esforços de preservação, levando seus nomes à consideração da organização, que obteve o patrocínio da Armani, Cartier e Qatar Airways e Qatar Museums Authority.

Quanto a planos para exibição dos filmes restaurados, o plano é que haja apoio das cinematecas dos vários países e que se estudem todas as suas possibilidades de exibição, inclusive a internet, como lembrou Gian Luca Farinelli, diretor da Cinemateca de Bolonha, uma das apoiadoras deste projeto.

A urgência para o início do trabalho desta organização foi enfatizada por Scorsese, ao lembrar que “90 a 95% dos filmes mudos americanos simplesmente desapareceram”. O cineasta chinês Wong Kar-wai, também do conselho consultivo, acrescentou que centenas de filmes de Hong Kong posteriores a 1949 estão neste momento se deteriorando em depósitos em San Francisco, devido a problemas para identificação de seus atuais detentores de direitos.

Por enquanto, a restauração de Limite foi apenas digital, a partir do único nitrato existente do filme. Walter Salles informou que uma nova cópia em 35 mm está sendo viabilizada.

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