08/06/2026

A maldição de Superman

Nem mesmo um orçamento generoso em torno dos US$ 200 milhões evitou que a Warner Bros. contornasse as dificuldades para retomar Superman, a franquia cinematográfica que rendeu milhões de dólares e celebridade mundial ao ator Christopher Reeve nas décadas de 70 e 80. Não só porque os jovens atores parecem não ter mais a mesma paixão pelo papel do herói voador. O último a recusar-se a entrar na roupa azul e vermelha foi Paul Walker (de Velozes e Furiosos. Antes dele, já tinha declinado o neo-galã Josh Hartnett (de Pearl Harbor). O último a pular fora do megaprojeto foi o próprio diretor Brett Ratner (que preferiu fazer A Hora do Rush 3). As más línguas já falam que existe aí o equivalente a uma verdadeira maldição da múmia.

A própria tragédia de Christopher Reeve, que ficou tetraplégico depois de uma queda de cavalo há oito anos, é um dos fantasmas. Mas não o único. Margot Kidder, que interpretou Lois Lane ao lado de Reeve, também sofreu esgotamento nervoso. Richard Pryor, que atuou na cinessérie como Gus Gorman, sofre há anos de esclerose múltipla.

Segundo um levantamento histórico feito pela Variety, uma série impressionante de azares cercou os intérpretes do Homem de Aço. O protagonista da série Superman de 1948, Kirk Alyn, nunca mais conseguiu emplacar na carreira, sendo obrigado a aposentar-se e sumir de circulação no interior do Arizona.

George Reeves, que atuou no papel numa série de TV e vários filmes na década de 50 - e não é parente de Christopher Reeve -, foi encontrado morto com um tiro na cabeça em 1959. A polícia considerou o caso como suicídio, mas a verdade é que suas impressões digitais nunca foram encontradas na arma. Além do mais, ele estaria mantendo um caso com a mulher do executivo do estúdio MGM, Eddie Mannix.

Bud Collyer dublou o primeiro desenho animado sobre o personagem de 1941 a 1943. Conseguiu manter uma boa carreira na televisão, como criador e apresentador do programa To Tell the Truth. Emprestou novamente sua voz ao herói em The New Adventures of Superman, para a rede CBS, em 1966. Três anos depois, morreu de um derrame.

Boas notícias, apesar de tudo, só chegaram ultimamente para Christopher Reeve. Incansável na luta por sua reabilitação, ele recentemente conseguiu respirar sozinho, sem o auxílio de aparelhos, por 15 minutos. O progresso aconteceu depois que se submeteu a mais uma cirurgia, que implantou eletrodos em seu diafragma. Os médicos esperam que ele consiga em breve livrar-se do uso do respirador artificial, o que lhe permitiria voltar a falar normalmente.

Cineweb-20/3/2003

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