09/06/2026

Produtores destacam desafio de produzir “Meu Nome não é Johnny”

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A história do carioca João Guilherme Estrella tornou-se nacionalmente conhecida quando ele foi preso na década de 1990. O rapaz era um dos mais notórios traficantes do Rio de Janeiro naquela época. Jovem de classe média alta, ele cresceu em meio ao mundo do surfe e ao da música. Porém, foram as drogas que lhe abriram muitas portas, e lhe deram a oportunidade de conhecer o mundo. Sua trajetória rendeu um livro, lançado em 2004, cuja adaptação chega às telas nesta sexta (4), sob a direção de Mauro Lima e produção de Mariza Leão.

O filme Meu Nome Não É Johnny concentra-se em alguns episódios narrados no livro homônimo do jornalista Guilherme Fiúza, que acaba de ganhar uma nova edição. Ao contar sua vida e seu envolvimento com o tráfico, Estrella, que hoje é músico e produtor musical, rompeu com uma barreira de hipocrisia de muitos que insistem em dizer que o tráfico está apenas na favela. “Hoje eu também dou palestras sobre o assunto e o público faz todo tipo de pergunta. Seria mais fácil se a sociedade encarasse essa questão. É uma conquista conseguir falar disso hoje tão abertamente”, afirmou numa entrevista coletiva em São Paulo para o lançamento do filme.

No longa, o personagem é vivido pelo ator Selton Mello, que, segundo o próprio Estrella, encontrou uma forma de recriá-lo na tela sem fazer uma imitação. “Ele tem o ritmo próprio e não fez laboratório comigo. Hoje, sou eu que o imito”, brincou o músico.

Selton, por sua vez, não conheceu Estrella até chegar a hora de fazer o filme. Mas nem por isso estava incólume ao efeito do músico. “Eu moro no Rio e, quando dizia para as pessoas que ia interpretá-lo, todo mundo tinha uma história para contar sobre ele. Foi muito difícil ‘fugir’ dele”, relembra.

A escolha do ator foi responsabilidade da produtora Mariza Leão que, ao ler o livro, pouco depois de ser lançado, imaginou o filme e logo pensou em Selton como o protagonista. “Eu sempre o vi como a pessoa ideal para combinar o humor e o drama”, explica Mariza, que depois de receber um sim do ator começou a procurar um diretor e levantar financiamento para a adaptação.

Se convencer Selton foi fácil, levantar patrocínio para levar Meu Nome Não é Johnny para as telas foi mais complicado. “Passei dois anos tentando captar verba com muita dificuldade. É mais fácil fazer um filme sobre índios, adolescentes grávidas ou outro drama social que tenha uma temática longe do cotidiano daqueles que investem, O tema assustava os possíveis produtores, pois é muito próximo da realidade deles”, frisa a produtora.

Para Mariza, a dificuldade de conseguir captar verba, ao invés de desanimá-la, parecia o sinal de que este poderia ser um grande filme que lidava com um tema espinhoso. “É complicado para a classe média se encarar na tela dessa forma, mostrando um problema bem real e sério”, observa. O orçamento do longa chegou aos R$ 5,5 milhões.

Para dirigir Meu Nome Não É Johnny, Mariza cogitou diversos profissionais, até que alguém sugeriu-lhe Mauro Lima (foto), que tinha acabado de fazer Tainá 2. Depois de conhecê-lo, a produtora achou que ele era a pessoa certa para o trabalho, mas ele superou suas expectativas. “Estabelecemos uma relação de cumplicidade. A visão que tínhamos do projeto era a mesma, senão, não teria dado certo mesmo”, destaca Mariza.

Além de dirigir, Lima é creditado como co-roteirista do filme, ao lado da produtora. “Tanto ela quanto eu não queríamos contar uma história maniqueísta, nem ficar dando muitas explicações sobre os personagens e os acontecimentos. Tentamos achar passagens dramáticas da vida do João, sem transformar tudo aquilo num dramalhão, além de imprimir um pouco de humor”, explica o diretor.

Estrella, Selton, Mariza e Lima são unânimes em dizer que este é um filme voltado para toda a família, principalmente por servir de alerta para os pais e abrir uma discussão séria e necessária para a sociedade. Para a atriz Cássia Kiss, que interpreta uma juíza no longa, Meu Nome Não É Johnny é extremamente pertinente por não se propor a jogar uma luz num problema, mas levantar questões e abrir discussões. “O bom do filme é mostrar que as pessoas possam se recuperar”, conclui a atriz.

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