A vitória de Padilha, que pode ser considerada uma surpresa, tem um sabor de revanche para o diretor carioca, depois de ver seu filme ser tachado de “fascista”, tanto no Brasil, quanto em Berlim, na crítica da revista Variety.
Receber o prêmio maior de um dos três principais festivais do mundo, ao lado de Cannes e Veneza, e aquele entre os três com maior viés social e político, eleva a cotação internacional do filme, bem como suas possibilidades de distribuição.
O troféu vem somar-se a uma trajetória muito peculiar, que começou com Tropa de Elite tornando-se um fenômeno de pirataria no Brasil. Calcula-se que foram vendidos mais de 10 milhões de dvds piratas do filme. Mas é impossível calcular exatamente o número de espectadores ilegais. Apesar disso, levou aos cinemas 2.417.193 pessoas - dados oficiais do semanário Filme B -, público que o tornou o filme brasileiro mais visto no Brasil em 2007. E também o mais comentado, pelo enfoque da violência da polícia contra traficantes e moradores de favelas.
Curtas brasileiros
Dois curtas brasileiros também foram premiados em Berlim. Café com Leite, de Daniel Ribeiro, venceu o prêmio de melhor curta jovem. Ta, de Felipe Sholl, levou o troféu Teddy, reservado a filmes de temática homossexual.
Outros prêmios
Os demais premiados em Berlim foram o norte-americano Paul Thomas Anderson, vencedor do Urso de Prata de melhor diretor pelo drama Sangue Negro - que estreou no Brasil nesta sexta (15) e concorre a oito Oscar no dia 24 próximo.
O Grande Prêmio do Júri ficou com o documentário Standard Operating Procedures, do norte-americano Errol Morris (de Sob a Névoa da Guerra), relatando as torturas aos prisioneiros em Abu Ghraib, no Iraque.
A melhor atriz foi a inglesa Sally Hawkins, pelo filme Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh. O iraniano Reza Naji venceu o troféu de melhor ator, pelo filme The Song of Sparrow, de Majid Majidi.
